terça-feira, 29 de setembro de 2026

Mulheres de baixa renda assumem sozinhas a responsabilidade financeira do lar, aponta pesquisa

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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box, encomendada pela Serasa, revelou que 43% das mulheres das classes D e E são as únicas responsáveis pelas finanças das suas famílias.

O dado mostra que, quanto menor a renda familiar, maior é o peso que recai sobre as mulheres para garantir o sustento da casa. Entre as famílias de renda alta (classes A e B), esse percentual cai para 18%.

O levantamento, que ouviu 1.383 mulheres em fevereiro deste ano, revela ainda que 93% das brasileiras contribuem financeiramente para as despesas do lar.

Em 33% dos casos, elas são as únicas responsáveis pela renda familiar. Na região Norte, esse índice é ainda maior: 35,7% das mulheres nortistas carregam sozinhas essa responsabilidade.

Dupla jornada ainda é rotina

Além da responsabilidade financeira, a maior parte das entrevistadas também concilia a geração de renda com o trabalho doméstico e o cuidado com a família.

Nove em cada dez mulheres afirmam que não conseguem se dedicar apenas à carreira ou às finanças da casa: elas acumulam as duas funções. No Norte, essa realidade é compartilhada por 87% das mulheres.

Mesmo com essa sobrecarga, 85% das entrevistadas disseram valorizar o espaço que conquistaram no controle das finanças familiares — uma área tradicionalmente ocupada por homens.

Reconhecimento dentro de casa é menor entre famílias de baixa renda

O estudo também mostrou que, quanto menor a renda da família, menor é o reconhecimento dado às mulheres por seu papel financeiro.

Entre as mulheres das classes A e B, 83% sentem que seu trabalho e sua contribuição são valorizados pelos familiares. Já nas classes D e E, essa percepção cai para 60% e 53%, respectivamente.

Dívidas e acesso ao crédito preocupam mulheres

Na hora de organizar o orçamento, quitar dívidas é uma das principais prioridades das mulheres, especialmente no Norte, onde 36% citaram essa preocupação como foco.

Isso se reflete nos números do Feirão Serasa Limpa Nome, onde as mulheres fecharam 25% mais acordos do que os homens.

Apesar desse esforço, a dificuldade de acessar crédito persiste. 47% das mulheres relataram dificuldades para obter crédito e 85% disseram que já tiveram algum pedido negado.

Entre as mais jovens, o cenário é ainda mais desafiador: 62% das mulheres da Geração Z afirmam que enfrentam barreiras para conseguir crédito.

Esse índice cai para 48% entre millennials, 40% entre a Geração X e 16% entre as Baby Boomers.

Educação financeira e redes sociais

A pesquisa também revelou que 33% das mulheres aprendem sobre finanças por meio das redes sociais, seguidas por informações em apps e sites de bancos (28%) e buscas na internet (26%).

Além disso, 75% das mulheres afirmam que se sentem mais confiantes e representadas quando ouvem outras mulheres falando sobre economia e finanças.

Objetivos financeiros: casa própria e contas em dia

Quando questionadas sobre seus principais objetivos financeiros, 36% das entrevistadas apontaram a compra de um imóvel e a quitação de dívidas como prioridades para os próximos anos.

Esse desejo é ainda mais forte entre as mulheres que já passaram por negociações no Feirão Serasa, mostrando uma preocupação constante em equilibrar o orçamento doméstico.

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