quarta-feira, 23 de setembro de 2026

2026 já começou: eleições antecipam debates e mobilizações políticas

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Mestre em Ciência Jurídica, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) e professor de Direito Eleitoral.

Em recente reunião ministerial, o Presidente Lula declarou que “2026 já começou”. Anunciava o Presidente o que todos nós já sabíamos, que a campanha para as eleições do próximo ano já iniciara. E embora atribuísse esse adiantado das próximas eleições presidenciais aos adversários, que estariam em campanha na internet, não deixou de convocar seus auxiliares a, também, iniciarem a campanha: “Nós precisamos dizer em alto e bom som que nós queremos eleger um governo para continuar o processo democrático nesse país”. “Nós não queremos entregar esse país de volta ao neofascismo, ao neonazismo, ao autoritarismo”.

No mesmo sentido, reportagem da Folha de S. Paulo dava conta de que “Ex-ministros de Lula, FHC e Dilma criticam Congresso e se mobilizam para 2026”. Esclarecia a reportagem que os ex-ministros organizaram o manifesto “Vamos em Frente”, e que “iniciaram uma mobilização para convencer a classe política e eleitores a isolar a direita radical nas eleições de 2026 e interromper o que chamam de extorsão o Orçamento pelo Congresso Nacional”.

Mas não apenas as eleições para a Presidência da República movimenta o mundo político, qualquer um que acompanha as notícias de nosso Estado do Amazonas já percebeu que as eleições para Governo do Estado, Senado Federal, Deputado Federal e Estadual já estão em andamento.

Os nomes com os cargos em disputa já estão sendo anunciados. O jogo, de fato, iniciou com as eleições municipais de 2024.

E não há nisto qualquer ilegalidade, ao contrário, está de acordo com a lei eleitoral, que permite, sem fixar prazo para o início, a propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolva pedido explícito de voto.

Portanto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pretensos candidatos, podem ser anunciadas sem problema.

Penso que, quanto mais cedo se anunciam os candidatos, mais tempo temos nós, os eleitores, de os observar, analisar suas atuações, o que têm feito, o que pensam sobre os problemas que enfrentamos.

Nós, o povo, temos de compreender que, se quisermos uma vida melhor, precisamos exercitar nossa cidadania; que não é simplesmente o ato de votar por obrigação. Mas votar consciente, sabendo que estamos elegendo pessoas que irão criar leis e implantar políticas que impactarão demasiadamente nossas vidas.

Engana-se quem vota porque o voto é obrigatório, sem se importar com quem está elegendo “porque todo político é corrupto e nada vai mudar”.

Não, diz a nossa Constituição Federal que “Todo o poder emana do povo”, e o voto consciente é um dos mais eficazes meio de exercício desse poder soberano.

Só o voto consciente assegura a continuidade da democracia, só o voto consciente garante a liberdade, só o voto consciente muda a vida de uma cidade, de um estado, de um país.

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