quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Brasil registra 38 mil internações por câncer de ânus em uma década

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Vacinação contra o HPV reduz o risco de câncer de ânus e está disponível no SUS para diversos grupos.

Nos últimos dez anos, o Brasil registrou mais de 38 mil internações por câncer de ânus e do canal anal no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do Ministério da Saúde, obtidos pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), a doença, considerada rara, representou de 1% a 2% dos tumores colorretais e vitimou mais de seis mil pessoas entre 2015 e 2023.

O câncer anal nem sempre apresenta sintomas claros, sendo muitas vezes confundido com condições como hemorroidas. Entre os sinais de alerta estão sangramentos, dor, coceira, nódulos e alterações na consistência das fezes. O presidente da SBCP, Sergio Alonso Araújo, explica que o diagnóstico tardio pode dificultar o tratamento. “Em muitos pacientes ocorre sangramento, o que pode ser confundido com a doença hemorroidária. Outras condições, como fissura, fístula e verrugas, também podem causar sangramento anal. Por isso, é imprescindível consultar um coloproctologista aos primeiros sinais”, afirma.

A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e o uso de preservativos são formas eficazes de prevenção. O HPV é transmitido principalmente por contato sexual e pode permanecer no organismo sem apresentar sintomas por anos. A coloproctologista Ana Sarah Portilho, diretora de Comunicação da SBCP, destaca que a infecção pelo vírus é latente e pode levar ao desenvolvimento do câncer em um período de 10 a 15 anos, especialmente em pacientes imunodeprimidos.

Em 2024, o Ministério da Saúde ampliou o acesso à vacinação gratuita pelo SUS, incluindo meninas e meninos de 9 a 14 anos, pessoas de 9 a 45 anos com condições clínicas especiais, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP. Os preservativos também são distribuídos gratuitamente nos serviços de saúde pública.

Os principais fatores de risco para o câncer de ânus incluem infecções pelo HPV e HIV, histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), prática do sexo anal, tabagismo, fístula anal crônica e imunossupressão devido a transplantes ou doenças autoimunes.

A detecção precoce melhora significativamente as chances de tratamento, que pode envolver radioterapia, quimioterapia e cirurgia. Estudos indicam que a incidência do câncer anal tem aumentado nas últimas décadas, reforçando a necessidade de conscientização e prevenção.

“O conhecimento da população sobre prevenção e diagnóstico precoce ainda é essencial para reduzir os casos da doença”, finaliza Ana Sarah Portilho.

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