Em entrevista à Rede Meio Norte, do Piauí, o ex-presidente Lula (PT) afirmou que, após as Eleições de 2022, a polarização vista no Brasil devido a política irá acabar, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos na vitória do democrata Joe Biden sobre o republicano Donald Trump, no ano passado. O petista também afirmou ser uma ilusão acreditar em um candidato totalmente isento, que não tende nem para esquerda, centro ou direita nas convicções ideológicas.
No pleito de 2018, a divisão causada pelos eleitores anti-petistas e conservadores com a ala esquerda da política levou a uma polarização sem precedentes vista no país que foi vantajosa para o então candidato Jair Bolsonaro (sem partido). Deputado federal sem ações relevantes e com um perfil de extrema-direita igual ao de Trump, Bolsonaro foi levado à cadeira de presidente da República ao derrotar no segundo turno Fernando Haddad (PT), escolhido por um ainda inelegível Lula, que na época seguia na prisão.
“Quem vai acabar com a polarização vai ser o povo, depois das eleições. Toda eleição tem polarização. O (Joe) Biden (atual presidente dos EUA) acabou de polarizar com o (Donald) Trump e ganhou. Falam em uma pessoa neutra, não existe neutralidade em eleição. É bom que o povo saiba bem claro o que cada um representa”, disse o futuro candidato do PT à presidência, no próximo ano.
Na mesma entrevista, Lula não desperdiçou a oportunidade de iniciar sua campanha de oposição ao seu rival direto nas Eleições de 2022: Jair Bolsonaro (sem partido). O petista reafirmou que será candidato se “for necessário pra tirar o Bolsonaro” do poder.
“O povo está cansado. Liga a televisão, tá lá o Bolsonaro mentindo. Vai ver o jornal, tá lá o filho dele inventando uma fake news. Não há uma única mensagem de paz. É só ódio. Se for necessário pra tirar o Bolsonaro que eu seja candidato, não tenham dúvida que serei”, escreveu Lula em seu perfil no Twitter ao reproduzir falas da entrevista.
Pandemia
E Lula não poupou críticas à gestão do seu desafeto político no enfrentamento à pandemia da Covid-19 no Brasil. De acordo com o último boletim epidemiológico do consórcio de imprensa, divulgado na terça-feira (8), o país já tem um total de 17.038.260 milhões de casos confirmados e 477.307 óbitos causados pela doença desde o início da pandemia.
“Estamos correndo atrás do prejuízo porque o Brasil não fez a lição de casa. Se todas essas ofertas de vacina não tivessem sido recusadas, teríamos evitado pelo menos metade das mortes no país. Colhemos o que foi plantado pela irresponsabilidade do presidente da República”, declarou.
A lentidão da campanha de vacinação contra Covid-19 no país serviu para Lula relembrar ações do seu governo como presidente, em 2010, para imunizar a população na pandemia do vírus H1N1. Na época, o Brasil vacinou mais de 88 milhões de pessoas em três meses, enquanto no governo Bolsonaro, o país chegou apenas a mais de 50 milhões que receberam a primeira dose da vacina contra o coronavírus. Isso depois de quase cinco meses de campanha.
“O Brasil sempre foi referência em vacinação. Vacinamos 80 milhões de brasileiros em três meses na época do H1N1. O Bolsonaro nem lembrava mais que o Zé Gotinha existia. Foi lembrar depois que eu perguntei dele”, disse o petista.
‘Pobre’ no orçamento
Nome mais forte nas pesquisas de intenções de votos para derrotar Bolsonaro nas urnas no próximo ano, Lula também lembrou que na presidência da República, o governo petista priorizou o combate à miséria ao impulsionar ou criar programas sociais e defendeu nas entrelinhas ser o candidato necessário para o Brasil.
“Não existe mágica. Não tem gênio que vai sair da garrafa e consertar o Brasil. Não tem como chacoalhar uma varinha de condão e inventar um candidato. Esse país precisa de uma pessoa séria, que conheça o Brasil, e que tenha o compromisso de incluir o pobre no orçamento da União”, afirmou.
Copa América da Covid-19
Apaixonado por futebol e torcedor fanático do Corinthians, Lula aproveitou a entrevista para também criticar a decisão do Governo Federal de aceitar a proposta da Conmebol para o Brasil ser sede da Copa América em meio à pandemia.
“Eu sou fanático por futebol, mas, como cidadão, o Brasil não deveria ter aceitado sediar a Copa América nesse momento. Se for mesmo ocorrer aqui, vai demandar cuidado do pessoal da saúde não só dentro do campo, mesmo com estádios vazios, mas também nos hotéis, nos aeroportos…”, analisou.
Texto: Diogo Rocha
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