Um levantamento detalhado realizado pelo UOL revelou que o mercado financeiro errou 95% das previsões econômicas feitas desde 2021, com apenas 5% das estimativas se concretizando.
Economistas, especialistas e analistas de mercado têm feito previsões sobre o desempenho da economia brasileira, abrangendo indicadores cruciais como câmbio, inflação, taxa de juros, PIB e o comportamento da Bolsa de Valores.
No entanto, o estudo revela que, apesar da utilização de fontes confiáveis como o boletim Focus do Banco Central, as projeções frequentemente não se concretizam.
O levantamento analisou as previsões feitas no início de cada ano, usando o primeiro boletim Focus de cada ano, uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com mais de 100 economistas.
Além disso, o estudo considerou outros dados importantes do mercado financeiro, como as estimativas do “Latam Fund Manager Survey”, do Bank of America, e outros relatórios usados para basear as previsões sobre o rumo da economia do país.
Previsões de 2021 a 2024
Em 2024, por exemplo, o mercado financeiro projetava um desempenho positivo para o Ibovespa, com uma expectativa de que o índice superasse os 140 mil pontos. Contudo, o índice caiu 10,36%, fechando em 120.283,40 pontos, contrariando as previsões.
A taxa de juros Selic, que era esperada em 9%, subiu para 12,25%, o que também foi uma grande discrepância em relação às estimativas. Já o PIB, que tinha uma previsão de crescimento de 1,59%, superou as expectativas, alcançando 3,1% de crescimento até setembro de 2024.
No caso da inflação, a previsão era de 3,90%, mas o índice real foi de 4,83%. O dólar, que deveria terminar o ano em R$5,00, subiu para R$6,18, marcando uma alta de 27,3%.
Em 2023, o mercado também errou de forma expressiva. O Ibovespa, esperado para ficar entre 110 mil e 120 mil pontos, superou as previsões ao fechar o ano com uma alta de 22,28%, atingindo 134.185 pontos.
O PIB, que deveria crescer apenas 0,78%, teve um crescimento real de 2,9%. A previsão do dólar era de R$5,28, mas a moeda terminou o ano em R$4,85, uma queda de 8,06%. A inflação, que era estimada em 5,36%, foi de 4,62%.
Esse padrão de falhas nas previsões também se repete em anos anteriores. Em 2022, as estimativas para o PIB eram de um crescimento de apenas 0,28%, mas a economia brasileira cresceu 2,9%. A inflação, que foi projetada em 5,03%, terminou o ano com um índice real de 5,79%.
A previsão para o dólar era de R$5,60, mas a moeda terminou o ano em R$5,27, uma queda de 5,32%. Já a taxa Selic, que deveria ser de 11,75%, foi de 13,75%.
Em 2021, as previsões também falharam em diversas frentes. O Ibovespa, que era esperado para ficar acima de 120 mil pontos, caiu 11,93%, fechando em 104.822,44 pontos.
A Selic, que era projetada em 3,25%, terminou o ano em 9,25%, enquanto o PIB, estimado com um crescimento de 3,41%, superou as expectativas ao alcançar 4,8%. O dólar, que deveria ficar em R$5,00, subiu para R$5,57, uma alta de 7,47%. A inflação, que era esperada em 3,34%, registrou um aumento de 10,06%.
O levantamento do UOL mostrou que, em geral, as previsões feitas desde 2021 tiveram uma uma taxa de acerto de apenas 5%. Para cada 20 previsões feitas, apenas uma se concretizou, com o único acerto relevante sendo a previsão de um bom desempenho do Ibovespa em 2022.
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