
O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), em seu mais recente relatório, o sexto, publicado em 2023, destaca diversas barreiras para a implementação de ações de adaptação e mitigação. A primeira delas é a limitação de recursos. A falta de recursos financeiros, humanos e tecnológicos limita a capacidade de implementar medidas de adaptação e mitigação, especialmente em países em desenvolvimento. A mobilização insuficiente de financiamento (inclusive para pesquisa) resulta na falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e soluções de adaptação, limita o avanço tecnológico e a implementação de medidas eficazes. Sejam as limitações impostas ao avanço das pesquisas científicas, seja a absorção lenta e baixa e a lenta incorporação dos resultados científicos em políticas e práticas, especialmente em relação à adaptação, impedem implementar soluções eficazes.
Podemos estar entrando em uma crise de financiamento climático se que agrava em razão da própria crise climática, já que os impactos climáticos adversos podem reduzir a disponibilidade de recursos financeiros. Isso se deve ao fato de que os impactos das mudanças climáticas, como perdas e danos, e a redução do crescimento econômico, limitam ainda mais os recursos disponíveis para adaptação, especialmente em países em desenvolvimento.
A limitação de recursos é agravada pelo baixo engajamento do setor privado e dos cidadãos, que se expressa na falta de participação ativa do setor privado e dos cidadãos na formulação e implementação de políticas climáticas, atrasa o progresso e limita a inovação. O que se observa, na maioria dos países e entre os setores sociais é uma baixa alfabetização climática, entendida aqui como sendo a falta de conhecimento e compreensão sobre as causas e consequências das mudanças climáticas, bem como sobre as opções de adaptação e mitigação, dificulta a tomada de decisão informada e a participação pública. A baixa mobilização da opinião pública resulta em um baixo senso de urgência e, a essa falta de reconhecimento da urgência da crise climática, resulta em ações lentas e insuficientes, aumentando os riscos e impactos futuros. Por fim, sem a pressão da sociedade, governos demonstram uma falta de compromisso político. Essa falta de vontade política para implementar políticas climáticas ambiciosas e eficazes é uma grande barreira, resultando em atrasos e falta de progresso.
O IPCC enfatiza que a superação dessas barreiras é crucial para a implementação eficaz de ações de adaptação e mitigação e para garantir um futuro sustentável e habitável para todos. Reconhece, no entanto, que a maioria do financiamento climático rastreado é direcionada para a mitigação, limitando a capacidade de lidar com os impactos climáticos atuais e futuros. As disparidades crescentes entre os custos estimados de adaptação e o financiamento alocado à adaptação, especialmente em países em desenvolvimento, limitam a capacidade de lidar com os impactos climáticos e aumentam a vulnerabilidade. O IPPC alerta que os fluxos financeiros globais para adaptação são insuficientes, tanto de fontes públicas quanto privadas, para atender às necessidades globais, especialmente em países em desenvolvimento.
Outros especialistas consideram ainda que, entre as causas do fracasso ou da evolução lenta das negociações também inclui a dificuldade em traduzir metas de temperatura em ações concretas, vez que se trata de um exercício profundamente político, incorporando uma variedade de premissas, sendo muitas vezes politicamente motivadas. Também considerem que os obstáculos mais importantes seriam a oposição de grupos de interesse especial, como a indústria do petróleo, as incertezas científicas e a já citada falta de vontade política e capacidade administrativa.