quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Projeto propõe pagamento de direitos autorais a criadores de conteúdo audiovisual na internet

COMPARTILHE
audiovisual
Foto de Kushagra Kevat no Unsplash.

O Senado está analisando o Projeto de Lei (PL) 4.968/2024, proposto pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que obriga provedores de internet a pagarem uma remuneração aos criadores de conteúdos audiosivuais, como músicas, interpretações, execuções e transmissões online de conteúdo protegido por direitos autorais.

Essa remuneração será baseada no consumo efetivo de conteúdo protegido por direitos autorais pelos usuários das plataformas.

Segundo o senador Randolfe Rodrigues, o projeto é essencial para corrigir desigualdades no setor digital.

Ele destaca que plataformas de streaming e provedores de internet facilitam o acesso a conteúdos protegidos por direitos autorais, mas os ganhos não são distribuídos de forma justa entre os criadores.

“Se nada for feito, autores e artistas terão sua subsistência ameaçada. A internet já é a principal janela para o consumo de músicas e filmes, tornando os direitos autorais a única fonte de renda de muitos criadores, como vimos durante a pandemia, quando artistas ficaram sem outras opções de sustento”, alertou o senador.

A proposta, que modifica a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998), tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e será analisada por outras comissões, como a de Comunicação e Direito Digital, onde receberá votação em caráter terminativo.

A remuneração será paga independentemente de contratos e sem a necessidade de autorização prévia dos autores para o uso das obras. Essa medida não invalida contratos de cessão de direitos já existentes, permitindo que autores e artistas celebrem novos acordos.

Outro destaque é a definição de parâmetros para calcular a remuneração, incluindo regras específicas para titulares estrangeiros, respeitando tratados internacionais.

O PL inclui mudanças significativas para o setor audiovisual. Entre os destaques estão:

  • Reconhecimento dos roteiristas como coautores de obras audiovisuais.
  • Inclusão do produtor audiovisual como titular originário, garantindo remuneração a produtores independentes.
  • Pagamento aos compositores de trilhas sonoras criadas exclusivamente para obras audiovisuais.

Além disso, o projeto impede pagamentos duplicados pelo mesmo uso de conteúdo e exclui comunicações privadas e outras exceções previstas na Lei de Direitos Autorais.

O projeto também busca tornar mais transparente o ecossistema digital, com medidas para combater práticas como o uso de robôs que manipulam rankings e listas de reprodução.

Ele ainda limita o impulsionamento de conteúdos vinculados a empresas do mesmo grupo econômico dos provedores de internet.

Outra medida importante é a exclusão de produtos gerados por inteligência artificial sem participação humana significativa no cálculo da remuneração, protegendo os valores destinados aos autores e artistas.

Entre as punições estão licenciamento compulsório e penalidades para quem alegar autoria de conteúdo gerado por inteligência artificial sem interferência criativa significativa.

O PL segue em análise e, se aprovado, promete mudanças significativas na relação entre criadores, plataformas e usuários.

Leia Mais:

COMPARTILHE