quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Além de vidas, desastres naturais em Manaus já destruíram carreiras políticas

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Deslizamento na Redenção vitimou duas pessoas (Foto Carlos Oliveira / Gabinete Vice-Prefeito )
Deslizamento na Redenção vitimou duas pessoas (Foto Carlos Oliveira / Gabinete Vice-Prefeito )

Desastres naturais, como o deslizamento de terra ocorrido no bairro da Redenção, em Manaus, neste domingo (19/1), não apenas resultam em perdas irreparáveis de vidas humanas e bens materiais, mas também deixam marcas profundas e, por vezes, permanentes na trajetória política de quem governa ou legisla.

O episódio que mais exemplifica como desastres como esse impactam diretamente os políticos de Manaus, e que ainda reverbera até hoje, aconteceu em 21 de fevereiro de 2011, quando o então prefeito Amazonino Mendes visitou a invasão Santa Marta, uma área de risco localizada na zona norte da cidade.

Durante uma discussão, enquanto uma moradora cobrava melhorias nas condições precárias da comunidade, Amazonino respondeu que a população colaboraria não construindo casas em áreas de risco.

De maneira ríspida, Amazonino complementou a resposta após a moradora afirmar que os habitantes da área corriam risco de morte e não tinham condições de comprar uma moradia digna:

“Então morra”.

A reação do prefeito gerou uma onda de críticas não apenas pela maneira como tratou a moradora, mas também pela falta de empatia.

Esse episódio se tornou um marco negativo e irreparável na vida política de Amazonino. O desgaste político causado por essa atitude jamais foi esquecido.

Sua resposta desrespeitosa não só prejudicou sua imagem pública, mas também foi utilizada por seus adversários em diversas eleições subsequentes, tornando-se um símbolo da desconexão entre a classe política e a população em situação de risco. 

A história de Amazonino Mendes, marcada por esse episódio infeliz, serve de alerta. A sensibilidade em relação aos desastres naturais e às condições das áreas de risco deve ser prioridade em qualquer gestão pública.

Políticos devem entender que as escolhas das pessoas em morar em áreas de risco não são decisões fáceis ou despreocupadas. 

Muitas vezes, essas comunidades são formadas por famílias que buscam viver perto dos centros urbanos, onde encontram maior acesso a serviços básicos, como saúde, educação e transporte. 

Soluções amplamente conhecidas

Onze anos após o episódio, em 2024, Manaus liderou o número de alertas de desastres naturais no Brasil, registrando 50 notificações emitidas pelo Cemaden.

Atualmente, Manaus possui 1.281 pontos classificados como áreas de risco, evidenciando o tamanho do desafio enfrentado pela gestão pública.

Embora as soluções sejam amplamente conhecidas – como a retirada de moradores, a oferta de alternativas habitacionais permanentes ou aluguel social, além da prevenção de novas ocupações por meio de revitalização ambiental ou destinação apropriada –, essas medidas aguardam implementação efetiva.

Assista ao vídeo da discussão entre o ex-prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, e a moradora da invasão Santa Marta:

Reprodução internet

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