quarta-feira, 23 de setembro de 2026

La Niña intensifica chuvas na Amazônia, mas não há perspectiva de cheia recorde

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cheia do rio negro
Último La Niña impulsionou chuvas na região e ajudou o rio Negro a ter, em 2021, a maior cheia da série histórica em Manaus. (Arquivo)

Após dois anos consecutivos de fenômeno El Niño, que aqueceu as águas do Oceano Pacífico na zona equatorial, ao mesmo tempo em que o Oceano Atlântico também sofreu aquecimento semelhante na linha do Equador, causando secas extremas na Amazônia e alagações no Sudeste e Sul, os meteorologistas oficialmente declararam a abertura da temporada do La Niña.

A meteorologista do Climatempo, Marcely Sondermann, afirma que, apesar de estar mais fraca neste ano, o La Niña, que esfria as águas do Pacífico, trará chuvas intensas em todo o país, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

O fenômeno, que envolve o resfriamento anômalo do Pacífico Equatorial, influencia as temperaturas e as chuvas.

“Geralmente, em anos de La Niña, temos muitas frentes frias, principalmente pela costa da região Sul e Sudeste. Essas frentes frias, que passam mais pelo oceano, são responsáveis por favorecer as chuvas persistentes e intensas que vêm da Amazônia em direção ao Centro-Oeste e Sudeste”, explicou.

Além disso, há expectativas de um período seco sem grandes fenômenos climáticos, o que pode torná-lo menos severo e prolongado do que o de 2024. No entanto, isso dependerá de eventos ainda difíceis de prever.

O La Niña também ajudará a levar mais chuvas para as regiões Norte e Nordeste, de acordo com a meteorologista.

Nessas áreas, o fenômeno poderá se estender além do final de março e elevar as chuvas em abril, impactando o regime de enchente dos rios da região.

“A La Niña vai impactar o início do outono (pós-março) nas regiões Norte e Nordeste, quando começa o período úmido nessas áreas. Ela vai contribuir para mais chuvas do que o habitual nessa época”, disse.

No entanto, especialistas são cautelosos quanto à possibilidade de o La Niña deste ano causar um evento climático extremo, como ocorreu em 2021, quando o rio Negro registrou a maior cheia da história, com 114 anos de medições no porto de Manaus.

O pesquisador e coordenador de hidrologia do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, foi um dos primeiros a apontar que a seca extrema de 2024 foi a continuação da seca de 2023 devido aos fenômenos que afetaram as águas equatoriais dos dois oceanos.

De acordo com Senna, os dois eventos atuaram simultaneamente, inibindo a formação de nuvens e a precipitação de chuvas na Amazônia. O El Niño reduziu as chuvas enquanto as águas mais quentes do Atlântico empurraram as nuvens formadas sobre a Amazônia para o Hemisfério Norte.

Não há, segundo ele, perspectivas de que o La Niña cause uma cheia extrema similar.

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