Após dois anos consecutivos de fenômeno El Niño, que aqueceu as águas do Oceano Pacífico na zona equatorial, ao mesmo tempo em que o Oceano Atlântico também sofreu aquecimento semelhante na linha do Equador, causando secas extremas na Amazônia e alagações no Sudeste e Sul, os meteorologistas oficialmente declararam a abertura da temporada do La Niña.
A meteorologista do Climatempo, Marcely Sondermann, afirma que, apesar de estar mais fraca neste ano, o La Niña, que esfria as águas do Pacífico, trará chuvas intensas em todo o país, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
O fenômeno, que envolve o resfriamento anômalo do Pacífico Equatorial, influencia as temperaturas e as chuvas.
“Geralmente, em anos de La Niña, temos muitas frentes frias, principalmente pela costa da região Sul e Sudeste. Essas frentes frias, que passam mais pelo oceano, são responsáveis por favorecer as chuvas persistentes e intensas que vêm da Amazônia em direção ao Centro-Oeste e Sudeste”, explicou.
O La Niña também ajudará a levar mais chuvas para as regiões Norte e Nordeste, de acordo com a meteorologista.
Nessas áreas, o fenômeno poderá se estender além do final de março e elevar as chuvas em abril, impactando o regime de enchente dos rios da região.
“A La Niña vai impactar o início do outono (pós-março) nas regiões Norte e Nordeste, quando começa o período úmido nessas áreas. Ela vai contribuir para mais chuvas do que o habitual nessa época”, disse.
O pesquisador e coordenador de hidrologia do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, foi um dos primeiros a apontar que a seca extrema de 2024 foi a continuação da seca de 2023 devido aos fenômenos que afetaram as águas equatoriais dos dois oceanos.
De acordo com Senna, os dois eventos atuaram simultaneamente, inibindo a formação de nuvens e a precipitação de chuvas na Amazônia. O El Niño reduziu as chuvas enquanto as águas mais quentes do Atlântico empurraram as nuvens formadas sobre a Amazônia para o Hemisfério Norte.
Não há, segundo ele, perspectivas de que o La Niña cause uma cheia extrema similar.
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