Nos últimos meses, a redação do RealTime1 recebeu diversas reclamações sobre a qualidade do atendimento da operadora de planos de saúde Hapvida.
Inicialmente, o volume de denúncias não era significativo, mas nas últimas três semanas surgiram casos fora do padrão, gerando preocupações.
O crescente número de insatisfações já chama a atenção do Governo do Amazonas. Fontes internas indicam que há avaliações preliminares sobre a possibilidade de substituir a operadora devido à suposta queda na qualidade dos serviços prestados.
Contratos com o governo do Amazonas
Atualmente, a Hapvida mantém dois contratos ativos com o Governo do Amazonas. O primeiro, firmado em março de 2022, no valor de R$ 5,8 milhões, oferece assistência médica aos servidores da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc).
O segundo contrato, assinado em setembro de 2024 com a Fundação Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev), totaliza R$ 1.005.832,86 e inclui cobertura médica, hospitalar e odontológica para servidores ativos e comissionados. Este contrato tem vigência de seis meses, com possibilidade de prorrogação.
Apesar dos crescentes relatos de insatisfação, a empresa estrangeira, considerada a mais poderosa do segmento, mantém suas operações em diversos estados, incluindo um contrato recente de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de Manaus.
Queixas de servidores públicos
Servidores públicos conveniados à Hapvida relatam dificuldades no atendimento, especialmente em situações de emergência. Adriano Marques, funcionário público estadual, compartilhou sua experiência com o plano:
“Para conseguir uma consulta com urologista, são pelo menos dois meses de espera. Em um pronto-socorro, durante uma crise de pedra nos rins, cheguei às 6h30 e só fui medicado perto das 11h. Fiquei no saguão, com dor intensa, e só me atenderam porque vomitei no local.”
Adriano também criticou a demora nos atendimentos, mesmo pagando caro pelo plano: “Pago uma grana pelo plano, mas ainda assim, a espera é absurda.”
Roselene Martins, funcionária da Seduc, relatou uma experiência ainda mais preocupante. Diagnosticada com câncer, ela precisou de uma cirurgia emergencial após a perfuração de um tumor, mas enfrentou 24 horas de espera no pronto-socorro antes da intervenção.
“Passei um dia inteiro tomando apenas remédios para dor antes de decidirem pela cirurgia. Foi um momento muito difícil, e o atendimento demorou muito mais do que deveria.”
Após a cirurgia, Roselene continuou enfrentando problemas:
“Tive constipação intestinal e precisei voltar ao pronto-socorro, onde fiquei mais de uma hora em uma sala fria enquanto os médicos trocavam de plantão. Só fui atendida porque minha filha interveio, já que era necessário um protocolo para a troca da bolsa de colostomia.”
Além disso, ela mencionou dificuldades para agendar exames: “Preciso de uma manometria, mas a Hapvida me encaminhou para uma clínica conveniada e ainda não consegui marcar o exame, o que tem prejudicado meu tratamento.”
Ainda não há definição sobre quando o Governo do Amazonas poderá tomar uma decisão ou qual empresa poderá atender aos critérios necessários para, eventualmente, substituir a Hapvida.

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