Uma semana após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ameaçar a Zona Franca de Manaus (ZFM) para tentar atingir os senadores amazonenses Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), que atuam na CPI da Covid, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o modelo econômico que obteve um ‘boom’ de crescimento durante os anos de 2004 a 2010, período em que ele esteve no comando Executivo Federal.
“A Zona Franca vai continuar porque é o coração do desenvolvimento do Amazonas. Não adianta um presidente ficar fazendo ameaça velada ao presidente da CPI, ao governador do Estado”, reforçou o ex-presidente em entrevista à Rádio Tiradentes na manhã desta sexta-feira (28).
Falando em CPI…
Lula elogiou os trabalhos conduzidos por Omar Aziz na presidência na CPI e afirmou que “todo mundo que foi falar pelo Governo [Federal] mentiu”.
“[Eduardo] Pazuello deveria ter recusado o cargo de ministro da Saúde porque não fez nada no Ministério. Cumpriu apenas as ordens do Bolsonaro. A médica [Mayra Pinheiro] também falou mentiras”, acusou.
Sobre tais investigações em andamento no Senado, Lula indicou que, agora, prefere aguardar a conclusão dos trabalhos da CPI, mas não descartou a possibilidade de pedir que o Tribunal Internacional julgue a omissão do Governo Federal no combate à pandemia, se confirmada.
“Ele quem obrigava as pessoas a falarem e ele tem que ter responsabilidade por boa parte das mortes que ocorreram nesse país (…) A falta de oxigênio de Manaus é uma parte da irresponsabilidade do Governo Federal”, afirmou Lula.
Asfaltamento da BR-319
A BR-319, na opinião do ex-presidente, virou “um conflito como o do Oriente Médio”, mas afirmou que, caso seja eleito, voltará as discussões sobre o asfaltamento da estrada de uma forma ecológica, o que nunca saiu do papel em seus dois mandatos por desentendimentos entre os ministros da Infraestrutura, Alfredo Nascimento, e do Meio Ambiente, Carlos Minc, à época.
“É possível a gente retomar aquilo . Eu estou dizendo publicamente isso porque se eu for candidato e Deus permitir que eu volte à presidência, a gente vai retomar essa obra e essa discussão para o bem da Região Amazônica. É possível fazê-la ambientalmente correta”, disse Lula que chegou a anunciar, em 2007, um investimento de R$ 697 milhões pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas o projeto não obteve grandes avanços por impasses na questão ambiental.
Texto: Giovanna Marinho
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