O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse, em depoimento concedido nesta quarta-feira (19), como o uso da cloroquina entrou no radar do Ministério da Saúde para o tratamento precoce da Covid-19.
Ao responder ao relator, senador Renan Calheiros (MDB/AL), Pazuello explicou que conhecia cloroquina como um antiviral e anti-inflamatório e soube que estava sendo usada por médicos em vários países. Chegou a citar que 29 países, como México, China e até Cuba, têm protocolos de uso do medicamento, que não tem eficácia comprovada, no tratamento da Covid.
Nesse momento foi contestado pelo senador e médico Otto Alencar (PSD/BA), que esclareceu que cloroquina é anti-protozoário, uma coisa bem diferente. Pazuello concordou e retirou essa frase do depoimento dele.
O ex-ministro disse que ao chegar ao ministério já havia uma nota técnica recomendando a cloroquina na fase terminal em ambiente hospitalar, o que já havia sido dito pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Pazuello complementou que havia estudos sobre este uso em casos grave de Covid e citou que em Manaus, um trabalho realizado por médicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) resultou na morte de 20 pacientes que receberam altas dosagens da droga. “Foi ai que fizemos um freio de arrumação. Na nota técnica 17 estabelecemos, com base na recomendação do Conselho Federal de Medicina, estabelecemos que se o médico olhar para a cloroquina e quiser usá-la, ele pode, mas nas doses que definimos”, disse.
A cloroquina é um medicamento sem eficácia comprovada, que tem uso incentivado para tratar pacientes pelo presidente Jair Bolsonaro e grupos de apoiadores. O ministério, na gestão de Pazuello, chegou a criar uma plataforma digital, a TratCov, com orientações para que o remédio fosse utilizado para tratar os sintomas de pacientes em todo o país.
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