O presidente da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, revelou, nesta quinta-feira (13), em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, que uma equipe técnica da empresa se reuniu em novembro de 2020 com o ex-secretário de comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, e que, na ocasião o filho do presidente, vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), esteve presente em uma reunião que não constava na agenda de Wajngarten.
É a segunda vez que o nome de Carlos aparece em meio a tratativas sobre a compra de vacinas e tratamentos defendidos pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro. Na primeira vez ele foi citado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que esteve com ele na reunião em que se defendia o uso da cloroquina como tratamento precoce.
A informação do Executivo da Pfizer esclareceu o depoimento de Wajngarten, dessa quarta-feira (13), já que este afirmou “não recordar de quem participou da reunião”, na determinada data.
“Após aproximadamente da reunião, Fábio recebe uma ligação sai retorna. Minutos depois, Filipe Martins e Carlos Bolsonaro entram na sala. […] Fábio explicou a eles os esclarecimentos prestados à Pfizer na reunião. Carlos ficou brevemente na reunião e saiu. A reunião foi encerrada logo na sequência”, disse Murillo, ao ler a Ata da reunião com Wajngarten.
O filho de Bolsonaro não tem cargo no governo, mas participou da reunião a pedido de Fábio Wajngarten, segundo o executivo. Além dele, Murillo confirmou que o assessor da área internacional de Bolsonaro, Filipe Martins, também esteve na reunião. Martins fez um gesto associado aos supremacistas brancos, em março deste ano, cometendo crime de preconceito, segundo a conclusão da polícia do Senado.
Texto: Milena Soares
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