quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Os candidatos e as redes sociais - Resumo geral

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Gilson Gil é sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Ao concluir o projeto de seguir as redes pessoais dos candidatos à prefeitura de Manaus, desde a pré-campanha, é chegada a hora de um resumo geral. Foram quatro meses seguindo suas trajetórias no Instagram pessoal, vendo o que postavam, semana a semana. O momento, às vésperas do pleito, é de uma avaliação global.

David Almeida – foi o mais linear. Não se envolveu em brigas ou ataques, com apenas uma exceção: no fim de setembro atacou Cidade, quando este já subia nas pesquisas e se firmava na segunda colocação. Priorizou mostrar as obras que fez, visitando o andamento delas e suas inaugurações, quando a lei o permitia. Louvava o sábado e colocava frases religiosas e sobre a família. Já candidato, usou muito da técnica de exibir depoimentos de populares e amigos de infância. Firmou alguns slogans, como o “Trabalho, Coração e Coragem”. Aparecia bastante nas postagens. Sempre gostou de mostrar ser do povo e dizer que vinha do “Morro da Liberdade”, detalhando sua origem humilde.

Amom Mandel – foi o que mais usou de memes modernos e na moda, para passar suas mensagens. Começou mostrando mais sua vida em Brasília, como deputado. Depois, com a campanha em pleno andamento, focou mais em Manaus, inclusive começando a caminhar nas ruas e a falar com a população. Pouco falou de sua trajetória pessoal. Enfatizou muito o plano de governo, com mais de 600 páginas. Com o passar do tempo, acentuou bem o combate à corrupção como seu mote de campanha. Criticou adversários, especialmente David e Cidade, reclamando do desperdício de verba. Sempre enfatizou ser o deputado mais econômico, ligado ao meio ambiente e que ganhou prêmios. Na reta final, focou muito nas caminhadas, nos jingles, na crítica à corrupção e em mostrar ideias do plano.

Capitão Alberto – fez muitas postagens sobre Bolsonaro. O centro de sua campanha foi estabelecer o vínculo com o ex-presidente. No início, mostrava sua ação parlamentar em Brasília. Depois, passou a mostrar sua trajetória, tanto familiar como profissional, na polícia militar. Além de Bolsonaro, investiu muito em Michelle Bolsonaro e em Nikolas Ferreira, figuras da direita. Foi o que mais exibiu a vice, Maria do Carmo Seffair, e a deixou falar. Ressaltou, após ser candidato, que seu lema seria “ordem e progresso” e que ele seria a “direita verdadeira”. Na pré-campanha, falava mais em “choque de ordem e choque de gestão”. Esses temas nunca foram abandonados. Até o final, sempre enfatizou que iria focar na segurança e no controle dos gastos. Mostrou várias propostas, nas últimas semanas, mas ainda focando sempre no fato de ser o “candidato do Bolsonaro”. Fez muitos ataques à corrupção e a David e Cidade, associando-os a essa temática.

Marcelo Ramos – foi o que mais mudou durante esse processo, nas postagens. Começou extremamente agressivo, criticando e atacando quase todos os adversários. Desafiou os outros a mostrarem obras de Bolsonaro em Manaus. Falava apenas sobre Lula, dizendo o que ele fez por Manaus. Todas as postagens remetiam ao presidente. Depois, com o passar do tempo, amenizou as críticas, dirigindo-as mais a David, Wilson Lima e Cidade. Mudou há algumas semanas, pois adotou um estilo mais light. Começou a falar em “missão, servir e amar Manaus”. Centrou o foco no slogan “nem Cidade, nem David”. Reduziu os ataques aos outros nomes. Direcionou, cada vez mais, as críticas para Cidade e David e a apontar os pontos positivos de Lula. Falou de projetos para Manaus, mas sempre associando-os a Lula e ao governo federal. Nas últimas semanas, exibiu caminhadas e panfletagens. Falou muito, no início, da família, de sua trajetória e de seu passado, apresentando-se ao eleitor. Terminou a campanha de forma mais sóbria, mas, como alguns outros, atacando a corrupção e direcionando as críticas a David e Cidade.

Roberto Cidade – fez a campanha, no Instagram, mais calculada e estratégica. Iniciou mostrando seu trabalho de deputado estadual. Depois, passou, aos poucos a ir às ruas. Mostrou sua trajetória pessoal pouco a pouco. Começou, então, na passagem da pré-campanha para a campanha, a aparecer com o povo, em caminhadas. Durante as últimas semanas, priorizou mostrar o povo, sempre com pessoas correndo, dançando e pulando. Tocou muito o jingle, enfatizando seu caráter alegre e popular. Muitos depoimentos, cenas de danças e reuniões populares. Investiu em temas, como o caminhão da mudança, modernizando e dando agilidade às postagens. Criticou muito David, especialmente pelo desperdício de recursos. Mostrou poucas propostas, mas repetiu-as bastante, para serem fixadas pela população com facilidade. No último mês apareceu e falou pouco. A prioridade nos dias finais foi mostrar o povo, a dança, o jingle e as caminhadas e bandeiraços. Enquanto outros mostravam claramente seus “padrinhos’, ele escondeu o governador, deixando-o de lado nas postagens, apenas falando genericamente que teria “apoios”, para governar.

Wilker Barreto – enfatizou muito a questão de seu currículo e preparo. Sempre mostrou que entendia de gestão, criticando David e Wilson como incompetentes. No início, acentuou seu trabalho como deputado estadual, especialmente as críticas ao governador. Pouco falava da prefeitura. Durante a campanha, começou a focar em David e a reclamar da corrupção e da má gestão municipal. Criticou Amom pela imaturidade e falta de preparo deste. Reclamou que Cidade, David, Wilson e o capitão e apenas ele, Wilker, seria realmente oposição, coisa que ele seria há vários anos. Mostrou propostas, especialmente para emprego, renda e meio ambiente. Exibiu sua vice mais para o final. Sempre que podia mostrava suas aparições na imprensa local. Na reta final, mostrou caminhadas e bandeiraços, tentando se mostrar mais nas ruas e menos no gabinete ou no estúdio.

Gilberto Vasconcelos – acentuou sempre que era revolucionário e queria atacar o capitalismo e os bilionários. Fez postagens com clara mensagem ideológica. Foi o mais ligado nessa questão – a ideologia. Atacou os adversários pela corrupção e má gestão, mas sempre criticando-os como capitalistas e fazendo parte do sistema. Falou da questão palestina e exibiu propostas para setores da cidade, como saúde e educação. Pouco andou pelos bairros e não fez bandeiraços. Fez panfletagem em fábricas e universidades. Certamente, foi o candidato mais ideológico e com uma mensagem direcionada a um setor da sociedade, os trabalhadores.

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