quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Para Omar, falas de Bolsonaro, além da vacinação, podem prejudicar a economia

Senador alertou que ataques contra a China poderão fazer com que o Brasil perca seu principal parceiro comercial. Em 2020, negócios entre os dois países somaram US$ 101,7 bi.
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O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD), demonstrou preocupação com relação a possíveis efeitos negativos na economia por causa de falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a China. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (5), o parlamentar amazonense alertou que com “ataques permanentes” ao seu principal parceiro comercial, o Brasil poderá perder muito mais que doses de vacina contra a Covid-19.

“Um parceiro comercial como a China não dá para menosprezar. Nem do ponto de vista do IFA, que estamos precisando, nem do ponto de vista da economia brasileira. O que nós vendemos de commodities, o nosso intercâmbio em relação a importar tecnologias e exportar grãos, frangos, carne e ferro é importante para a nossa economia. Não estamos tratando apenas da vacina ou do vírus. Estamos falando de algo muito mais importante. Quando você fecha parcerias comerciais, se elas param de existir, a retomada demora anos”, alertou Omar.

O senador lembrou ainda que a relação comercial entre os dois países é amplamente favorável aos brasileiros.

“Somos superavitários com a China. Diferente dos Estados Unidos, que empatam entre exportações e importações, da China nós ganhamos muito, assim como com o Oriente Médio, que também já foi cutucado”, disse Omar.

Números

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, o país asiático se se tornou, em 2020, o primeiro parceiro comercial do Brasil a superar a marca histórica de uma corrente de comércio (exportação+importação) superior a US$ 100 bilhões.

No ano passado, os negócios entre os dois países somaram US$ 101.728 bilhões.

Deste total, US$ 67.685 corresponde a exportações de commodities brasileiras para a China, enquanto as importações atingiram o montante de US$ 34.042, um superávit de US$ 33.645 bilhões, ou aproximadamente 65% do saldo total acumulado pelo Brasil com todos os países no período.

O que Bolsonaro disse?

Na tarde de ontem (5), durante discurso na abertura da Semana das Comunicações, no Congresso Federal, Bolsonaro insinuou, sem citar nominalmente o país asiático, que o novo coronavírus teria sido criado em laboratório como arma em uma imaginária “guerra bacteriológica”.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em um laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é uma guerra química bacteriológica e radiológica. Será que estamos enfrentando uma nova guerra? Qual país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, disse o presidente sem apresentar provas.

Reportagem: Lucas Raposo

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