O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) deu, no final da manhã desta quarta-feira (28), mais detalhes da operação “Coleta de Luxo”, que resultou na prisão temporária do prefeito de Urucurituba, José Claudenor, o “Sabugo”. A principal suspeita é de que ele liderava um esquema de “lavagem de dinheiro”.
De acordo com o promotor de justiça Armando Maia, há indícios de que o prefeito esteja envolvido com desvios de dinheiro, tendo em vista a participação de agentes públicos intimamente ligados às empresas vencedoras de certames e a crescente incompatibilidade patrimonial com os respectivos ganhos dos envolvidos.
“Foi possível observar que o presidente da comissão de licitação já possuía um vínculo com uma das licitantes que seria a empresa [sic] Joely, da própria esposa dele e ele tinha uma procuração que poderia atuar em nome da própria empresa. A esposa era, inclusive, filha da dona do posto de gasolina que também foi vencedora na licitação de combustível. Fora isso, observamos que a secretária de finanças possui dois filhos com donos de empresas que também firmaram contratos com o poder público”, detalhou.
O promotor resumiu que basicamente as empresas que estavam ganhando licitações eram de pessoas relacionadas intimamente com servidores públicos, o que é vedado por Lei.
Além disso, o promotor afirmou que a empresa que recolhe lixo no município não realizava o trabalho. “Foi observado que os caminhões não pertenciam a empresa e alguns deles pertenciam ao próprio poder público e as pessoas que realizavam essa tarefa de coleta de lixo eram servidores públicos, e que recebiam dinheiro diretamente da prefeitura. Ou seja, a empresa recebia para prestar o serviço, mas não realiza o serviço”, disse.
Neste momento da investigação, o promotor explicou que a equipe vai analisar os equipamentos eletrônicos apreendidos e, dependendo do que encontrarem pode pedir a conversão da prisão temporária do prefeito Claudenor em prisão preventiva (30 dias), assim como dos demais envolvidos: o representante do município em Manaus, José Júlio de Castro Pontes (irmão do prefeito), e Eliana da Cunha Melo, secretária de Finanças.
Sobre os prejuízos com que os supostos desvios poderiam ter causado, o promotor afirmou não ter uma estimativa. “Ainda está sob apuração, porque temos que analisar alguns dados que estão sendo processados. Estamos analisando algumas coisas que vão poder nos dar a oportunidade de falar o tamanho desse prejuízo”, afirmou.
Além disso, existe mais um Mandato de Prisão para outra pessoa, que tem validade de 12 horas. Mas o MP-AM não informará o nome da pessoa até que a prisão seja concretizada.
O RealTime1 entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Urucurituba para saber o posicionamento do órgão que respondeu: “No momento não temos informações precisas sobre o fato”.
Texto: Milena Soares
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