quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Independência coloca Omar na 'pole position' para presidir a CPI

Eleição acontecerá na sessão de instalação da CPI, marcada para o dia 22, e até lá o senador pelo Amazonas seguirá favorito a comandar a investigação
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O senador Omar Aziz (PSD) se consolidou, na manhã desta sexta-feira (16), como o nome favorito para assumir a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 no Senado. O cálculo leva em conta que ele tem uma postura independente, promete realizar um trabalho de investigação técnico e, por isso, angariou apoios tanto de governistas quanto dos independentes.

Para os governistas, Omar é uma opção melhor que Randolphe Rodrigues (PSOL/AP), que por ser o autor do pedido da CPI era tradicionalmente eleito presidente. Jair Bolsonaro quer que aconteça tudo, menos que Randolphe assuma esse cargo e assim vai mobilizar os quatro governistas para votar em Omar. São eles Ciro Nogueira (PP/PI), Eduardo Girão (Podemos/CE), Marcos Rogério (DEM/RO) e Jorginho Mello (PL/SC). Com o voto de seu colega de partido, o senador Otto Alencar (PSD/BA), Omar alcançaria os seis votos necessários para ser indicado presidente.

O senador, contudo, trabalha para ter todos os votos, incluindo na conta os independentes: Eduardo Braga (MDB/AM), Renan Calheiros (MDB/AL) e Tasso Jereissatti (PSDB/CE). Não está descartada a hipótese dele conseguir os votos dos oposicionistas Randolphe e Humberto Costa (PT/CE).

Para chegar nessa unanimidade, a costura envolve entregar a vice-presidência a Randolphe Rodrigues e acomodar um dos emedebistas na relatoria. O MDB, como maior partido do Senado, reivindica a relatoria e o governo Bolsonaro manobra para que ela caia nas mãos de Eduardo, tido como um político menos raivoso em relação ao Planalto do que Renan Calheiros, um duro crítico do governo Bolsonaro.

O bloco governista não tem bala na agulha para bancar um nome para a presidência, pois os três independentes e os dois oposicionistas fariam melhor negócio apoiando um nome como o de Omar.

O senador pelo Amazonas, falando ao portal REALTIME1, prometeu que fará um trabalho técnico, sem perseguições a governistas, mas cobrando promessas e responsabilidades. “CPI não será para perseguir, mas vamos apurar, saber porque não compramos vacinas lá atrás, saber porque promessas não foram cumpridas, como a de vacinar em fevereiro a população de Manaus maior de 50 anos, o que o Pazuello (Eduardo, ex-ministro da Saúde), prometeu e até agora não foi cumprido”, afirmou.

A sessão de instalação da CPI deve ocorrer na próxima quinta-feira, após o feriado de Tiradentes. A primeira missão é eleger o presidente, que depois indica arbitrariamente o relator. Até lá, muitas costuras políticas serão feitas, mas em todas Omar Aziz estará no Centro.

Texto: Gerson Severo Dantas

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