quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Impacto do bloqueio do Canal de Suez sobre o PIM divide especialistas

O canal representa uma importante rota comercial entre Ásia, Oriente Médio e Europa Em janeiro, 42,69% dos produtos importados que entraram no Amazonas vieram da China.
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Uma das principais travessias marítimas do mundo para o transporte de mercadorias e matérias-primas, o Canal de Suez, está bloqueado para navegação após o encalhe do cargueiro Ever Given, que está atravessado no canal devido a uma falha técnica, impedindo a passagem de outras embarcações.

O incidente aconteceu na madrugada da última quarta-feira (24) e já tem atrasado a entrega de petróleo e outros produtos comerciais entre a Europa e Ásia.

O canal tem uma importância estratégica para o comércio mundial, já que representa uma rota entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa sem ter que contornar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, sendo essencial para o abastecimento mundial de matérias-primas e mercadorias.

E o Polo Industrial de Manaus?

O gerente-executivo do Centro Internacional de Negócios do Amazonas (CIN Amazonas) da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Marcelo Lima, acredita que, mesmo sendo extremamente dependente de insumos importados, principalmente da China, o Polo Industrial de Manaus (PIM) não deve ser afetado imediatamente pelo problema. Além disso, ele acrescenta que as negociações para futuras compras também não serão impactadas.

“Acredito que esse problema não deva afetar o nosso suprimento de matérias primas. O canal é uma via de escoamento. Não sabemos quais são as rotas que os navios que trazem esses insumos ao Amazonas fazem da Ásia para cá. O que eu posso afirmar é que, com relação às negociações com fornecedores nada deve mudar”, disse Marcelo Lima.

Maior tempo de viagem e portos lotados

Por outro lado, o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, pensa diferente.

Ele lembra que o canal de Suez é responsável pela movimentação de 12% das cargas do Comércio, Indústria e Agricultura. Segundo Azevedo, a cada dia bloqueado são U$ 50 bilhões de prejuízo distribuídos entre todos os segmentos da economia. Para ele, os prejuízos se darão pelo maior tempo de viagem e pelo acumulo de mercadorias nos portos do estado.

“Obviamente que seremos prejudicados, pois a alternativa de descer até o Cabo da Boa Esperança no continente representa 9.000 quilômetros a mais. Teremos um acúmulo de mercadorias nos portos de Manaus”, avaliou.

A previsão é de que o Canal de Suez retome o tráfego de navios em duas semanas.

China é o principal parceiro

A maior parte dos insumos e componentes utilizados pelas fábricas do PIM vem da Ásia. De acordo com dados da Balança Comercial do Amazonas, divulgados no início deste mês pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), em janeiro, 42,69% dos produtos importados que entraram no Amazonas tiveram a China como origem.

O país asiático é o principal parceiro comercial do estado. Só em janeiro, as transações entre China e o Amazonas registraram o valor de US$398,93 milhões.

Reportagem: Lucas Raposo

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