A tentativa das operadoras de transporte MSC e Maersk de faturar alto com a seca dos rios do Amazonas provocou uma reação do governador Wilson Lima (União Brasil), na manhã desta sexta-feira (5), durante o anúncio da edição de mais quatro decretos com medidas contra a estiagem deste ano.
“No momento que mais precisamos de ajuda de quem já lucra muito na região amazônica, (eles) vem colocar mais uma carga sobre os nossos ombros”, reclamou Wilson Lima.;
O governador também determinou que as secretarias das áreas atuem contra as duas empresas, pois a cobrança extra da taxa de pouca água (Low Water Surcharge (LWS), ainda longe do período de estiagem, é um verdadeiro absurdo.
“Sabemos que vai haver uma seca severa, mas ainda não sabemos o tamanho. Aqui ainda não temos dificuldades para navegar, então como é que as empresas anunciam uma sobretaxação de algo que pode acontecer”, denunciou Wilson Lima.
Entenda o caso da Taxa de Pouca Água
Duas das principais operadoras de transporte de navegação que atuam na região informaram aos clientes da indústria e do comércio amazonense que a partir de primeiro de agosto vão cobrar uma taxa extra pelo transporte de contêineres para Manaus ou de Manaus para qualquer porto.
A MSC informou que essa taxação, a LWS será de US$ 5 mil por contêiner transportado. Já a Maersk foi ainda mais gulosa e cobrará uma LWS de US$ 5.9 mil por contêiner transportado. No ano passado, no auge da estiagem recorde, em outubro, a LWS cobrada era de US$ 2,1 mil, menos da metade do que as duas operadoras querem cobrar neste ano.
Além da taxa extra, representantes da indústria e do comércio informaram que as duas operadoras elevaram neste ano o preço do frete em mais de três vezes, saindo de US$ 3,5 mil no início do ano para US$ 11,5 mil em julho.
Os valores da operação logística com estes preços inviabilizam a economia do Amazonas, pois no total trazer um contêiner para Manaus custará mais de US$ 16 mil, o que nas contas do setor produtivo e de técnicos do governo retirar todas as vantagens comparativas do modelo Zona Franca de Manaus.
Leia mais: