Em um dia de tensões no mercado brasileiro e internacional, o dólar encostou em R$ 5,80 e atingiu o maior valor em dez meses. O dólar comercial encerrou a segunda-feira (8) vendido a R$ 5,778, com alta de R$ 0,095 (+1,67%).
A cotação atingiu o nível mais alto desde 15 de maio de 2020, quando o dólar tinha fechado em R$ 5,839. A moeda já acumula alta de 11,36% em 2021.
Impacto nos preços
Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Martinho Azevedo, essa alta do dólar já está afetando o dia, não só de investidores internacionais ou turistas, mas dos cidadãos comuns.
Segundo Azevedo, produtos de grande impacto no orçamento familiar, como alimentos e combustíveis, têm seus preços impactados pela flutuação do dólar.
“Muitos dos produtos que nós consumimos diariamente têm seus preços diretamente atrelados à moeda americana, inclusive produtos de grande repercussão nas cadeias de produção, como petróleo, trigo e algumas outras commodities”, explica.
Commodities são produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em escala e que podem ser estocados sem perda de qualidade, como petróleo, suco de laranja congelado, boi gordo, café, soja e ouro. Commodity vem do inglês e originalmente tem significado de mercadoria.
Importações
Ainda de acordo com o presidente do Corecon-AM, outro ponto tem ligação com produtos que são importados pelo Brasil, especialmente na área de tecnologia.
“A indústria brasileira é muito dependente de insumos importados. Com isso, o dólar alto produz um reflexo direto na inflação e pode vir a provocar aumento de preços na economia, repercutindo, de modo geral, na inflação”, alertou.
E a Zona Franca de Manaus?
Ele lembra ainda que o modelo Zona Franca de Manaus também é muito dependente da importação de insumos. Então, o reflexo é imediato.
“Quando o empresário compra algum insumo importado, ele paga pelo dólar do dia. Então, muitas vezes, o empresário que fez o pedido em janeiro, com o dólar a R$ 4,80, recebe agora, a quase R$ 5,80, o que representa um aumento muito significativo, quase de 20% no custo de insumos. A empresa absorve esse gasto que, posteriormente, será repassado à cadeia de consumo”, conclui Martinho Azevedo.
Reportagem: Lucas Raposo
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