sexta-feira, 25 de setembro de 2026
PRIVATIZAÇÃO

Privatização do BEA pelo Bradesco diminuiu oferta de crédito e encareceu empréstimos

O principal aspecto negativo da transferência do banco para a iniciativa privada foi a diminuição da oferta de crédito e o encarecimento de empréstimos, entre outras operações financeiras.
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Banco do Estado do Amazonas foi comprado pelo Bradesco em 2002. Foto: Reprodução/Shutterstock

Após 22 anos da privatização do Banco do Estado do Amazonas (BEA) pelo Bradesco, a conselheira do Conselho Federal de Economia (Cofecon), economista Denise Kassama, avalia que a venda da instituição bancária amazonense prejudicou o Estado.

Para ela, o principal aspecto negativo da transferência do banco para a iniciativa privada foi a diminuição da oferta de crédito e o encarecimento de empréstimos, entre outras operações bancárias. Denise explica que o papel de um banco público é oferecer condições de crédito mais justas e equânimes do que bancos privados.

“A privatização do BEA reduziu o crédito e os serviços bancários de uma forma geral para a população. Os ativos do governo foram reduzidos, o banco era um patrimônio do estado do Amazonas. Perdeu o governo e a população”, adicionou.

Microcrédito pela Afeam

Com o vácuo deixado pelo BEA e outros bancos públicos estaduais, apenas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil seguem oferecendo financiamento e crédito para setores de infraestrutura, agricultura e pequenos negócios, pouco atraentes para bancos privados.

Contudo, o Amazonas ainda oferece microcrédito através da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). Essas operações de financiamento são voltadas principalmente para pequenos empreendedores, como Microempreendedores Individuais (MEI’s).

Kassama explica que a Afeam não age como agência bancária. O proposito é oferecer crédito específico, sem outros serviços bancários.

“O crédito é para alguém que vai atrás da Afeam e que precisa do microcrédito para comprar uma máquina de costura, por exemplo”, disse.

Vendido em janeiro de 2022

O BEA foi vendido por R$ 182,14 milhões ao Bradesco em janeiro de 2022. Na época, os estados que possuíam bancos foram incentivados a se desfazer das instituições pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que implementava uma política neoliberal de entrega do patrimônio público a entes privados.

Com a operação, o Bradesco assumiu a rede de 36 agências que BEA possuía no estado.

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