quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Endividados crescem, mas inadimplência está controlada aponta CNC

Retração econômica decorrente da pandemia gerou aumento de devedores, no país. Por outro lado, percentual de famílias com contas em atraso caiu pelo quinto mês seguido.
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Levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o número de famílias endividadas no Brasil cresceu.

Em janeiro de 2021, o percentual de brasileiros com dívidas foi de 66,5%, um aumento de 0,2% em relação a dezembro do ano anterior e de 1,2% quando comparado a janeiro de 2020.

Os números são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e consideram dívidas como cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal, prestações de casa e carro, carnês, crédito consignado.

Cartão de crédito é vilão

A principal modalidade de dívidas das famílias brasileiras segue sendo o cartão de crédito, que em janeiro atingiu a máxima histórica de 80,5% do total de famílias – contra 79,4% em dezembro.

Em 2020, o percentual médio de famílias endividadas no cartão foi de 78%. Também houve avanço em dívidas com crédito pessoal e carnês no primeiro mês do ano.

Economia soube se reinventar

Na avaliação do presidente da CNC, José Roberto Tadros, o cenário, a princípio, não é negativo, principalmente em função dos impactos da pandemia.

“Temíamos uma escalada do número de inadimplentes no país. O auxílio emergencial ajudou a evitar o pior cenário, e a economia soube se reinventar na medida do possível. Mas este ano vai ser chave para observarmos o comportamento do crédito e da inadimplência”, disse.

Inadimplência controlada

A Peic de janeiro aponta ainda que o percentual de famílias com contas em atraso caiu pelo quinto mês seguido, alcançando o índice de 24,8%.

Embora esteja um ponto percentual acima do apurado no mesmo mês do último ano, a proporção é a menor registrada desde fevereiro de 2020 – período anterior à pandemia.

A parcela de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas também diminuiu em relação a dezembro, passando para 10,9% do total em janeiro. Há um ano, o indicador havia alcançado 9,6%.

“Com o fim do auxílio e o atraso no calendário de vacinação, as famílias de menor renda precisarão adotar maior rigor na organização do orçamento. Essa conjuntura faz o crédito ter papel ainda mais importante na recomposição da renda. É preciso seguir ampliando o acesso aos recursos com custos mais baixos, mas também alongar os prazos de pagamento das dívidas para manter a inadimplência sob controle”, alerta Izis Ferreira, economista responsável pela pesquisa.

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