sexta-feira, 25 de setembro de 2026
INFLAÇÃO Á VISTA!

Tragédia gaúcha chegará ao Amazonas na forma de inflação de alimentos

O Rio Grande do Sul é o principal produtor de arroz, base da alimentação dos brasileiros, e também de carnes bovina, de frango e de suínos.
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Imagem de arroz nas prateleiras de supermercados
Produção de arroz no Estado ajuda a diminuir a inflação de alimentos no Amazonas. (Arquivo)

As inundações do vale do Taquari e lagoa do Guaíba, no Rio Grande do Sul, acontecem a mais de 10 mil quilômetros de distância de Manaus, mas é preciso que o amazonense esteja atento e já comece a se preparar para receber, nas próximas semanas, os efeitos econômicos da tragédia que, até esta quinta-feira (9/5), já matou mais de 100 gaúchos e deixou 300 desaparecidos.

A primeira onda da tragédia gaúcha que vai atingir o Amazonas atende pelo nome de arroz, pois o Estado do Sul é responsável por 70% da produção nacional. Parte da safra foi colhida, mas não tem como ser escoada, segundo a secretária de Agricultura do Rio Grande do Sul. Outra parte se perdeu sob as águas dos rios que compõem o vale do Taquari.

A região possui 43 mil produtores rurais cadastrados e constitui-se como a segunda região com mais produtividade rural do estado, medida em renda por quilômetro quadrado. Dos quase 300 municípios gaúchos em Estado de Emergência, 40 estão localizados nas margens do rio Taquari.

Para conter os preços do arroz que – não custa lembrar – forma ao lado do feijão a base alimentar do brasileiro, o Governo Federal decidiu importar 1 milhão de toneladas, mas os efeitos dessa medida e a distribuição desse arroz extra ainda demora a chegar no País.

Produtores garantem abastecimento

Produtores de arroz e supermercados informam que não há risco de desabastecimento do grão no Brasil, apesar das enchentes no Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da produção nacional. A garantia é da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

Segundo a Federarroz, a colheita no RS abrange, até o momento, 83% do total da área prevista para a safra. A entidade acrescenta que o produto colhido apresenta “boa qualidade e produtividade, o que garante o abastecimento dos brasileiros”.

Outra onda de efeitos econômicos decorrentes das chuvas e alagações no Rio Grande do Sul poderá vir no preço das proteínas de carne. O Estado é responsável por 17% dos abates de suínos, 13% dos abates de frango e 5% de carne bovina.

“Embora tenhamos este grande problema com relação à colheita do que falta, nós temos plenas condições de afirmar que nós não temos problemas com relação ao abastecimento do mercado interno”, acrescentou.

Embora a principal fonte de proteína animal do amazonense seja o peixe, cujo consumo per capita no Estado alcança em algumas regiões um total de quase 200 quilos ao ano, o consumo de frango e de suínos cresceu nos últimos anos, principalmente pela elevação dos preços da carne de bovinos.

Para o economista Moacyr Santos Ferreira, é inevitável que uma tragédia como essa que se abate sobre o Rio Grande do Sul, um Estado com grande produção rural, cause inflação de preços de alimentos, principalmente porque as infraestruturas (estradas, silos, rodoviárias e até o aeroporto principal do Estado, o Salgado Filho) vão demorar a serem recuperadas.

“Você me fala de arroz e proteína animal, mas pense também em vinhos, sucos e azeite. Vem inflação por aí com certeza. A resposta dos governos é que vai dizer o tamanho dessa inflação”, analisou.

Matéria atualizada às 17h15 para incluir informação dos produtores de arroz publicadas pela Agência Brasil.

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