quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Os pré-candidatos e as redes sociais - Episódio 2

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Gilson Gil é sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

E continuo no projeto de acompanhar o Instagram dos pré-candidatos à prefeitura de Manaus. Como falei antes, verifico o que postaram em seus stories e feeds pessoais, durante certo período. Tento ver que narrativas criam, que personagens constroem e quais os temas que abordam. Evito lives e repostagens ou posts institucionais.

Desta vez, o período foi a semana entre 29 de abril e 5 de maio. Foi uma semana bem ativa nessa rede social e com algumas pequenas mudanças em relação à anterior.

Como na semana anterior, dois pré-candidatos continuam buscando nacionalizar o pleito, Capitão Alberto e Marcelo Ramos. Os outros enfatizam temas mais locais e/ou mostrar sua vida cotidiana. Porém, mesmo aqueles dois mostraram diferenças nas suas postagens.

O Capitão passou a semana anunciando a vinda de Bolsonaro ao Amazonas no dia 3 de maio. Tentou colar sua imagem à do ex-presidente diretamente. Evitou embates diretos com outros candidatos e sempre acentuou seu vínculo com Bolsonaro. No dia 3, mostrou o evento. Nos dias 4 e 5, contudo, mostrou Bolsonaro no hospital, mostrando preocupação e desejando recuperação. Para variar, todavia, no dia 1 de maio, disse que fez um PL para a Zona Franca permanecer até 2074, elogiou os trabalhadores e alertou que estava sendo alvo de ataques de hackers. Mostrou estar preso à figura de Bolsonaro.

Marcelo exibiu, às vezes, a família. Porém, sua ênfase continuou sendo em mostrar as obras de Lula no Amazonas e chamar outros candidatos para discutir. Inclusive, reclamou das brigas de Cidade e David (mimimi), e criticou até Amom, que não teria feito nada pelo Centro de Manaus. Porém, aos poucos, já veio falando do Centro, dizendo que tem ideias para ele, reclamou do transporte coletivo e falou, brevemente, de saneamento e esgoto.

Contudo, sua ênfase continuou em criticar os outros, incluindo uma jornalista, que teria sido injusta nos comentários sobre ele. Ele admitiu que esse será seu estilo e falou claramente isso, dizendo que “eleição é comparação” e que continuará criticando os outros e chamando-os para o debate, abertamente.

Roberto Cidade talvez seja o que mais veio mudando, lentamente, o perfil de seus posts neste período analisado. Apesar de ainda basear muito sua figura no cargo que ocupa na ALEAM, já veio mostrando reuniões com mototaxistas e motoristas de aplicativo, encontro com pastores e reuniões em bairros, além de almoçar feijoada no sábado. Criticou, de forma geral, a gestão de Manaus, não comentou os ataques de Marcelo e já começou a falar de mobilidade urbana e moradias. Tentou mostrar a razão de querer ser prefeito, participou de inaugurações de obras do governo estadual e buscou explicitar como viria ajudando Manaus na ALEAM. Mostrou estar tentando sair do gabinete na ALEAM.

Amom Mandel, como na outra semana, não apareceu tanto nessa rede social. Fez aparições localizadas. Enfatizou muito um evento que fará no Centro, dia 11 de maio. Promete limpar a Praça dos Remédios e convocou voluntários para ajudá-lo. No entanto, aproveitou esses posts para criticar os governos municipal, estadual e federal, que seriam os responsáveis pelo abandono do Centro. Também fez uma live com um “especialista em educação”, falando da SEMED e visitou o hospital Dr. Fajardo. Foi processado por David e reclamou que seria censura, assim como foi criticado por Marcelo, que teria cobrado o que ele teria feito pelo Centro como deputado. Evitou rebater diretamente tal crítica, apenas reforçando o evento do dia 11 de maio e reclamando do IPHAN.

David Almeida continuou em seu estilo mais reservado e objetivo. Mostrou obras, como o Prato do Povo no Armando Mendes, a entrega de títulos de propriedade no Nova Cidade e a lancha coletora de lixo. Elogiou seu projeto Casa Manauara e o apoio ao futebol de salão. Criticou a SUHAB por conduzir mal a política habitacional do Amazonas. Desejou feliz sábado e anunciou uma live sobre o IDEB, para falar da SEMED. Evitou debates maiores e nem rebateu críticas. Permaneceu em sua proposta “minimalista” e bem objetiva de postagem.

Wilker Barreto também continuou suas críticas ao governo estadual, especialmente SEDUC. Porém, aproveitou a visita de Bolsonaro e criticou o Capitão Alberto, que nunca fez nada pela polícia militar nem pelas famílias do Amazonas. Além disso, repostou várias entrevistas que deu falando de suas opiniões políticas. Ele enfatiza bastante que é o “mais preparado” e que o que tem mais condições de ser prefeito. Porém, ainda pouco fala de Manaus e de suas ideias para a cidade.

Maria do Carmo Seffair pouco postou, também, nessa rede social. Quando fez, abordou temas mais gerais, como o Dia do Trabalhador, a ajuda ao Rio Grande do Sul ou sua ida à Igreja aos domingos. Falou para os jovens tirarem o título de eleitor até o dia 8 e elogiou Zema, governador de Minas Gerais e do partido novo. Ainda não abordou Manaus, seus problemas e impasses, diretamente. Pelo menos, nessa rede social, ainda não direcionou seus esforços para o cargo de prefeita.

Em suma, esta foi a segunda semana de acompanhamento pelo Instagram. Algumas continuidades, mas já umas mudanças. Alguns candidatos já começaram a falar de Manaus, apesar de genericamente. Outros, continuam enfatizando seu estilo e reforçando o personagem adotado para a eleição. Vamos continuar acompanhando e vendo que caminhos adotarão em maio.

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