O Raio-X do Investidor de 2024, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), revelou que, em 2023, o número de brasileiros envolvidos em apostas online e jogos em cassinos virtuais foi sete vezes maior que a quantidade de investidores na Bolsa de Valores.
Enquanto apenas 2% dos brasileiros optaram por investir em ações, cerca de 14% da população, ou 22 milhões de pessoas, participaram das chamadas “bets”.
O principal motivo apontado para a explosão de apostadores no Brasil é a ilusão de lucro rápido e fácil. Tanto que para 40% dos apostadores, essa é a motivação por trás das apostas, enquanto apenas 14% enxergam as bets como investimentos.
Se todos os brasileiros que apostam online investissem na bolsa, o Brasil estaria entre os cinco países com os maiores percentuais de população investindo em ações. Atualmente, os EUA lideram esse ranking, com 58% das famílias investindo no mercado.
O estudo também revela o crescimento de 360% no número de empresas de apostas no Brasil entre 2020 e 2022. Em 2023, as bets registraram um faturamento de mais de R$ 50 bilhões. Como comparativo, o faturamento é 10 vezes maior que os R$ 4 bilhões em receitas do Brasil com exportações de carne bovina.
Os principais usuários das bets no Brasil são homens, pessoas das classes mais altas e jovens da geração Z. Curiosamente, 17% dos beneficiários do Bolsa Família destinam parte do benefício para apostas.
Diante desse cenário, a regulamentação das apostas online se tornou uma das prioridades do governo. Em janeiro o Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), para regular o mercado de bets e estabelecer critérios sobre tributação e normas para a exploração comercial das apostas de quota fixa.
O presidente Lula espera arrecadar R$ 3 bilhões por ano com essa medida.
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