A eleição municipal deste ano trará de volta ao palco eleitoral uma das “estrelas” da política e do sindicalismo amazonense da virada dos anos 80 para os 90: o ex-deputado federal Ricardo Moraes, o primeiro a ser eleito pelo PT no Amazonas.
Ao Realtime1, Ricardo Moraes confirmou que está pré-candidato a vereador pelo PT nas eleições deste ano e conversando com lideranças, amigos e ex-companheiros de luta da política amazonense. Disse também que para chegar a Câmara Municipal de Manaus (CMM) defenderá bandeiras de projetos estruturantes e de qualificação profissional.
“Moro no Parque Dez, mas para chegar no Distrito Industrial eu levo mais de uma hora no trânsito. Isso ocorre com o trabalhador que está no Distrito e precisa voltar para a casa na Zona Oeste, Zona Norte e perde muito tempo no trânsito. Só projetos estruturantes de mobilidade resolvem isso“, afirma Moraes.
Outra ideia que vai defender ao longo da campanha, caso passe pela convenção partidária do PT, é a de criação de uma escola municipal de Gastronomia, área que ele avalia estar vivendo e trabalhando, apesar da qualidade, na idade da pedra.
“Nosso prato principal é o peixe assado, que é feito como nossos antepassados faziam há milhares de anos. É preciso inovar, há muito talento, tradição, mas uma escola de gastronomia propiciaria qualificação para quem trabalha nessa área estratégica para o turismo“, avalia o ex-deputado.
Ricardo Moraes diz que segue filiado ao PT “como sempre”, embora tenha tido uma breve passagem pelo PSB, e que apesar de ter sido um dos mais célebres presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, que comandou greves históricas no Distrito Industrial nos anos 80, hoje está afastado da militância sindical.
“Estou longe, hoje vivo de uma pequena consultoria empresarial que trabalha para que pequenos empreendedores tenham acesso a linhas de crédito, acesso a projetos e oportunidades“, revela o ex-deputado.
Natural de Manicoré, na região do rio Madeira, Ricardo Moraes veio com a família para Manaus com 20 anos, atraído pelas oportunidades de trabalho na Zona Franca de Manaus, onde ingressou como industriário. Católico, ingressou e depois coordenou a Pastoral Operária da Igreja, uma força política fortíssima naquele momento histórico.
Na sequência, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, até hoje a entidade sindical mais importante do Estado, e dessa posição foi um dos fundadores do PT nacional e também do Diretório Estadual, do qual foi um dos primeiros presidentes.

Comandando greves, paralisando o Distrito Industrial e liderando a jovem militância petista em Manaus, Ricardo Moraes disputou a eleição para vereador de 1988 e foi o segundo mais votado do pleito, com 5.800 votos, perdendo apenas para Mário Frota, que teve 13.349.
O número, contudo, não foi suficiente para atingir o quociente eleitoral daquela eleição, que estava em torno de 9 mil votos. Naquela eleição quem conseguiu uma cadeira na Câmara por um partido de esquerda foi a terceira mais votada, Vanessa Grazziotin, que recebeu 3.368 votos.
O bom desempenho na eleição de 88 o credenciou para a disputa seguinte para deputado federal, em 1990, quando obteve mais de 18 mil votos, sendo o quinto mais votados e conquistando o primeiro mandato federal de um político do PT no Amazonas.
Cumpriu o mandato entre 1991 e 1995, quando, segundo a própria avaliação, foi um defensor do modelo Zona Franca contra os interesses de grupos empresariais de São Paulo.
“Naquele tempo, como agora, a Zona Franca segue em risco. Se chegar na Câmara Municipal, esta não será uma preocupação minha, pois esse é um tema federal, mas vou ficar de olho“, promete o ex-deputado, que voltará a disputar uma eleição para vereador pelo PT pela primeira vez desde 1988.
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