Uma das estratégias constantes do estudo realizado por técnicos de órgãos e entidades preocupadas com uma nova vazante recorde de rios do Amazonas envolve a dragagem de várias regiões dos rios Madeira e Amazonas para, assim, garantir a logística do transporte de produtos e passageiros na região.
A dragagem, contudo, envolve riscos ambientais por remover sedimentos, como lodo e terra do leito, num processo que pode liberar, por exemplo, metais como o cádmio e mercúrio, cuja presença no rio Madeira é bastante conhecida. O risco é que, livre, esses metais afetem a saúde de peixes e, por conseguinte, de populações humanas consumidoras destas espécies.
Elaborado por técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Marinha do Brasil, Agência Nacional de Transporte Aquaviário e Associação de Praticagem do Amazonas, o estudo prevê que só na passagem de Tabocal, no rio Amazonas e acima de Itacoatiara, será necessário dragar 40 mil metros cúbicos de sedimentos, o equivalente a oito mil caçambas.
Tabocal não foi o único gargalo logísticos criado pela vazante recorde do ano passado. Ao longo do rio Madeira, entre Porto Velho (RO) e a foz, em Itacoatiara, há várias regiões onde bancos de areia se formaram e impediram a navegação de navios com carga plena.
Navios porta-conteineres que podiam transportar três mil unidades de insumos para empresas do Polo Industrial de Manaus, no auge da crise hídrica, entre outubro e novembro, foram substituídos por balsas, que carregam no máximo 300 conteineres.
“A dragagem cria um campo de tensão entre o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. Enquanto facilita o comércio e a logística, pode comprometer os ecossistemas aquáticos e as economias locais dependentes de recursos naturais. Estes antagonismos necessitam de uma abordagem equilibrada, onde os benefícios logísticos não sobrecarreguem os sistemas naturais e sociais”, advertiu em artigo recente o amazónologo Alfredo Lopes.
Técnica de dragagem de rios exige licenciamento ambiental
Na bacia Amazônica os rios sofrem com problemas de assoreamento causado, entre outros fatores, pelo fenômeno das terras caídas, muito conhecido de quem vive nesta região. Este por sua vez é causado pela erosão e o desmatamento das margens ciliares para, muitas vezes, a práticas agrícolas inadequadas
A dragagem, portanto, envolve a remoção e transporte de lodo por meio de dragas, bomba e tubulação de transporte. A deposição final do material poderá ser feita no próprio rio ou em suas margens, conforme a resolução 344/2004 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), ou em aterro regulamentado e autorizado, quando há a possibilidade de contaminação do ambiente pelo material dragado.
Nas obras de dragagem de rios, lagos e lagoas, a água é transportada junto com o sedimento, evitando o rebaixamento do nível de água e, a separação, quando necessária, é realizada por diversos métodos e tecnologias como, tubos geotêxteis, decanters ou centrífugas, ou até mesmo remoção mecânica.
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