quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cientistas sugerem lockdown para conter a tragédia no Amazonas

O pico da segunda onda em Manaus ainda não chegou e se não for adotado o lockdown os números de mortes serão ainda maiores, alerta grupo de cientistas.
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Diante de uma tragédia anunciada anteriormente pelo grupo de pesquisa do qual faz parte, o doutorando do Programa de Biologia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Lucas Ferrante, alerta que o pico da segunda onda em Manaus ainda não chegou e se não for adotado o lockdown os números de mortes serão ainda maiores.

“O caminho para Manaus é um lockdown mais extensivo porque já houve negligência do governador, do prefeito anterior e houve negligência do presidente da república”, disparou Ferrante.

A afirmação aumenta a sensação de insegurança em virtude do cenário trágico, visto que em apenas dez dias deste mês, Manaus bateu os recordes nos números de mortes e sepultamentos, em comparação com o pico da primeira onda da pandemia, registrado no período entre o final de abril e início de maio, do ano passado. 

“Nós estamos fazendo estas previsões em modelos matemáticos epidemiológicos. Esse pico da pandemia ainda não chegou ao topo. Nós temos um delay entre quando acontecem as aglomerações, até se iniciarem as internações e depois as mortes. Nós ainda não tivemos as internações e muito menos as mortes em decorrência das aglomerações promovidas no Natal e no Ano Novo”, afirmou o cientista.

Lucas informa que as internações geralmente acontecem 14 dias depois das aglomerações e as mortes se iniciam 21 dias depois.

Revista científica Nature

O grupo formado por cientistas vinculados a institutos como UFAM, UFMG, INPA e Butantan previu a primeira onda em agosto do ano passado e publicou no artigo entitulado “Políticas do Brasil condenam o Amazonas a uma segunda onda da Covid-19”.

” No dia 17 de abril, quando o número acumulado de casos confirmados no Amazonas totalizou 1.809 e os óbitos confirmados totalizaram 145 , alertamos que o distanciamento social estrito em Manaus e a restrição de viagens de passageiros em todo o estado e interestadual (rodoviário, aéreo e fluvial) seriam necessários para evitar que o coronavírus causador SARS-CoV-2 se propagasse no interior do estado”, lembram os pesquisadores.

“Nenhuma dessas medidas foi tomada e, entre a data do alerta e 20 de julho, os casos confirmados no Amazonas aumentaram 4.951% (atingindo 91.389), e os óbitos confirmados aumentaram 2.069% para um total de 3.146, segundo dados do Fundação de Vigilância Sanitária do governo estadual.” escreveram os cientistas no artigo (https://science.sciencemag.org/content/368/6488/251.1).

Somente com lockdonw e vacina Manaus teria redenção

Os cientistas ainda alertam que somente o lockdown com fechamento de igrejas, academias e colaboração massiva da população tanto para o isolamento, quanto para a vacinação.

“Nós precisamos de um lokdown extensivo com a colaboração da população e do comércio que tem feito um lobby para abrir, mas precisa entender que sem fechar tudo nós ainda vamos ter que fechar mais duas ou três vezes até o final do ano”, recomenda o cientista.

Em relação à vacinação, Lucas Ferrante observa que o Governo Federal patina no enfrentamento ao grave quadro do País, visto que não anuncia com precisão as datas do início da imunização e muito menos a logística que vai empregar para vacinar toda a população do Brasil.

“Se nós não fizermos uma vacinação o mais rápido possível, massiva da população, com conscientização total onde todas as pessoas têm que se vacinar nós não iremos resolver a pandemia em Manaus”, sentencia o doutorando.

Texto: Daniela Tipiti

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