quarta-feira, 23 de setembro de 2026
FOGO AMIGO

Sinésio Campos é visto como empecilho dentro do PT por ser 'homem do governo'

O parlamentar, que preside a legenda no Amazonas, tem sido apontado por desmerecer a história do PT e de se aliar a adversários ideológicos
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PT tem buscado alianças para as eleições deste ano
(Foto: Reprodução)

O deputado estadual Sinésio Campos (PT) está sendo apontado como um dos principais entraves à rearticulação do Partido dos Trabalhadores por personalidades históricas do partido, fieis ao programa de ‘construção democrática pelas bases’, implementada desde a criação e fortalecimento da agremiação política nos 1980, ainda no esforço nacional de luta contra a ditadura.

O deputado, que acumula sete mandatos e soma 28 anos no parlamento estadual, é considerado uma ‘pedra no caminho’ dentro do PT.

“Sinésio é um homem do governo, qualquer governo, sempre foi”. Essa é a principal queixa dos ‘petistas de raiz’ que estão abandonando o partido, como os professores Aloysio Nogueira, hoje no Psol, e Ademir Ramos (que não é parente de Sinésio), no PDT.

Há quem diga que Sinésio, nos últimos 28 anos trabalhou mais para os governos de Eduardo Braga, Omar Aziz, José Melo, David Almeida e Wilson Lima, do que para o próprio partido. E quem afirme que pouco ajudou em lutas importantes dos trabalhadores, como por exemplo, em defesa das cooperativas médicas ou data-base de categorias.

O ‘querido’ do presidente Lula

Sinésio é o “querido” do presidente Lula, que faz questão de declarar sua enorme simpatia pelo político amazonense. E seria essa proximidade que lhe garantiria a manutenção no poder, pois o Amazonas sempre esteve alinhado à orientação nacional, afastando-se da realidade local.

Um dos resultados mais recentes dessa intimidade do deputado, que também é presidente estadual do PT, seria a articulação que ele teria feito para alçar sua filha, médica veterinária Dionisia Campos, à Superintendência do Ministério da Agricultura no Amazonas. Esse resultado é visto como ampliação da influência pessoal de Sinésio na economia regional: ele preside a comissão da Aleam que trata dos assuntos de mineração, vista como o segundo estágio do extrativismo amazonense (o primeiro foi o da borracha, que teve um fim melancólico).

O RealTime1 tentou contato como o deputado, mas até o fechamento deste texto, não conseguiu resposta.

Descaso com os amazonenses

Sinésio, no entanto, não é toda a frustração política do PT, nesta e em eleições passadas no Amazonas.

A professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e escritora, socióloga Marilene Corrêa, outro quadro fundador, refere um descaso da direção nacional petista com os amazonenses.

E um dos sintomas foi o anúncio feito pelo partido que planeja disputar a prefeitura de apenas 16 capitais nas eleições de 2024, o menor número dos últimos 32 anos. A mudança de estratégia ocorre após um resultado pífio há quatro anos, quando o partido concorreu em 21 capitais, mas não conquistou nenhuma.

Marilene aponta o esvaziamento das correntes ideológicas que, segundo ela, fortaleciam a ação política do partido, uma das razões da atual crise petista. Para ela, “o PT é hoje um grande vazio”.

O também professor da Ufam e ex-petista histórico, antropólogo Ademir Ramos, não esconde sua insatisfação não apenas com o seu antigo partido. Atualmente quadro do PDT, Ademir vê o quadro partidário nacional como “um grande negócio” e aponta como exemplo a desenvoltura de Waldemar Costa Neto, presidente do PL, em acenar com a distribuição de eventuais ‘sobras’ de cotas do bilionário Fundo Eleitoral, sem explicitar exatamente com quem, fazendo do seu partido uma fonte de negociações.

Críticas às atuais articulações

O ex-deputado federal Francisco Praciano, outro nome ‘raiz’ do PT, diz que o partido “tem esquecido sua grandiosidade”, alegando que a sigla não precisaria articular com quem ele chama de “adversário ideológico” para “se esconder” das eleições de outubro.

“É incongruente. O PT está querendo fortalecer nomes em 2024 que vão combater o próprio partido em 2026”, alerta Praciano. “O PT precisa voltar a ser PT, se reconectar, se reconstruir”, completou.

As críticas do ‘Praça’ também alcançam o deputado Sinésio Campos. Segundo ele, o parlamentar atrapalha o PT no Amazonas.

“Ele sempre foi governo. Não é PT, ele atrapalha o partido. Nunca discute internamente as alianças e, na última hora, fecha com os caciques do Estado”.

Praciano também relembrou que a esquerda amazonense já teve, ao mesmo tempo, um quadro político forte, colocando representantes na vereança, na Assembleia, na Câmara e no Senado.

“Desmontamos esses resultados quando começamos a fazer estes tipos de alianças oportunistas”, frisou.

Reportagem de Aldisio Filgueiras e Rosiane Couto

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