É inevitável, nesta época do ano, fazer retrospectivas e tentar projeções para o ano que virá. Porém, tudo com muita calma, pois a maioria dessas tentativas de se profetizar o ano vindouro acabam furando glamourosamente.
Por isso, preferi escrever sobre algo mais concreto, evitando a futurologia deliciosa do réveillon. Escolhi falar de pesquisa. Em especial, da pesquisa eleitoral divulgada pela Perspectiva, no dia 28 de dezembro. Outras também foram realizadas neste mês, contudo, prefiro me ater a esta por ser a última do ano e porque ela possui algumas perguntas que vão além da escolha de nomes.
Por exemplo, ao final do relatório, ela indaga dos entrevistados se os 6 nomes apresentados (Davi Almeida, Amon Mandel, Coronel Menezes, Roberto Cidade, José Ricardo e Capitão Alberto) seriam os que melhor representariam as opções para a disputa da prefeitura. Interessante que 50,1% dizem que não, que gostariam de mais opções. E é curioso que 31,1% dizem serem esses os nomes, sem alterações. A metade do eleitorado gostaria de ter mais opções de nomes, mas 1/3 admite que seriam esses mesmos. Qual o nome que metade do eleitorado deseja? Qual o perfil desse sétimo nome? O que ainda esperam ver nas eleições, tais eleitores?
Outro ponto é ver qual seria a melhor qualidade do futuro prefeito. Apesar de várias respostas estarem emboladas, sem grandes diferenças na maior parte, há alguns itens relevantes. Por exemplo, o mais escolhido (eram opções estimuladas) foi ter “sensibilidade social” (16,7%). Por outro lado, “transparência e ética” ficaram com apenas 10%. Saber “tomar decisões” ficou em segundo lugar, com 15,3%. Na mesma linha, ter uma “gestão eficiente com responsabilidade fiscal” ficou bem atrás, com 7%. Ou seja, o eleitor parece não ligar muito para questões financeiras ou técnicas. Prefere mesmo quem olhe o “social” e efetue decisões rápidas nessa área.
Algumas perguntas exploraram o desconhecimento (normal e generalizado) do eleitor sobre a política. Houve muita dificuldade em definir o salário dos vereadores, pois todas as opções de faixas salariais variaram entre 19,1% e 33%. Confusão justificável, afinal, há, ainda o “cotão” (verba de apoio ao trabalho parlamentar), que ultrapassa os R$ 30 mil reais e confunde qualquer análise. Espantoso é ver que 65,4% não lembram em quem votaram para deputado estadual em 2022. É um resultado que merece reflexão.
Curioso que, apesar da preferência marcante de Manaus por Bolsonaro, o que caracterizaria a cidade como oposição ao governo federal, cerca de 45% demonstram algum otimismo com 2024 e 33,7% acham que sua renda familiar irá aumentar. Porém, há 29% que estão pessimistas com o futuro e 22,8% que creem que sua renda diminuirá, demonstrando que há bolsões de dúvidas sobre o que o ano novo nos trará.
Também é positivo vermos como a memória trabalha e como serviços bons de divulgação podem construir imagens. Nas perguntas sobre os parlamentares que mais trazem recursos para o Amazonas e os que mais aparecem na mídia, os melhores são Omar Aziz e Eduardo Braga (traz recursos) e Amon, Eduardo e Omar (os que mais aparecem). Isto é interessante, pois seriam os nomes que circulam mais na mente do eleitor, como atuantes e trabalhadores.
Na parte política, é fundamental ver como se consolidou um eleitorado majoritariamente bolsonarista em Manaus. Certamente, pela pesquisa, a eleição passa pelo campo da direita, em especial por Bolsonaro.
Cerca de 67% disseram que votariam em Bolsonaro, caso houvesse eleições hoje. Em 2022, ele obteve 61% dos votos válidos em Manaus, no segundo turno. Subiu sua aprovação, pelo visto. E Lula não conseguiu, ainda, conquistar este eleitorado. Além disso, desses eleitores que votariam em Bolsonaro, mais da metade votariam com certeza ou talvez no nome que o ex-presidente indicasse.
Para fechar, pode-se falar que dos 6 nomes citados, pelo menos, 4 (Davi, Cidade, Capitão e Coronel) estão no espectro bolsonarista. Amon é um indefinido e Zé Ricardo, lulista. O que irá acontecer, somente o futuro dirá, mas temos de entender que a história, apesar de não ser pré-determinada, não é aleatória e já há tendências bem visíveis no ar…