Os principais problemas enfrentados pelos coletores de frutos de palmeiras na Amazônia são os acidentes com animais peçonhentos, quedas e contusões causadas pela necessidade de subir nos troncos de açaizeiros, tucumãzeiros e pupunheiras para retirar o fruto.
Isso agora é problema do passado com uma tecnologia social desenvolvida pelo Engenheiro Florestal Afonso Rabelo, da área técnica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que apresentará a Palmhaste no 1º Encontro de Tecnologia Social da Amazônia, que ocorre em Belém (PA) até o dia 25.
A Palmhaste foi criada para a colheita de cachos de frutos de palmeiras evita o desperdício, aumenta a produtividade e colabora para a geração de renda e a qualidade de vida das comunidades extrativistas da Amazônia.
A Palmhaste está sendo empregada pelos moradores dos municípios de Manaus (Comunidade Areia-branca, Pau-rosa e Reserva de Fruticultura do Inpa), Iranduba (Lago do Iranduba e Comunidade Nova Esperança), Manacapuru (Comunidade do Lago do Paru e Calado) e Novo Aripuanã (RDS do Juma).
O uso da ferramenta Palmhaste evita o desgaste físico dos coletores de palmeiras altas da Amazônia e previne acidentes de trabalho e ataques de animais peçonhentos.
Uso da Palmhaste nas diversas espécies de palmeiras
Na Amazônia, são conhecidas em torno de 180 espécies de palmeiras, mas apenas sete possuem frutos comercializados nas feiras de Manaus.
De acordo com o técnico do Inpa, Afonso Rabelo, com exceção das espécies de açaís e pupunha que podem ser escaladas, as demais espécies de palmeiras são muito difíceis de serem coletadas por meio de escalada em árvores ou com instrumentos caseiros.
“Das 180 espécies catalogadas na Amazônia, 30 possuem frutos comestíveis e 10 apresentam grande valor tecnológico agregado, comercial, nutritivo e funcional”, explicou Afonso Rabelo.
A tecnologia desenvolvida pelo Inpa em 2019 ganhou escala após a aquisição por uma empresa privada. A Palmhaste tem certificação da Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais (2019) e está registrada na Rede SDSN, uma Plataforma de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
Além disso, recebeu o primeiro lugar no Prêmio Professor Samuel Benchimol (2019), na categoria de projetos para desenvolvimento sustentável na Amazônia.