A criação do papel moeda, o dinheiro em espécie que mantemos na carteira, remonta ao distante ano de 1661 quando o Stockholms Banco lançou a coroa sueca lastreada em ouro. Pois essa revolução da economia mundial está próximo de acabar no Brasil, e bem mais rápido do que você imagina.
Em Manaus, por exemplo, as agências de três dos cinco maiores bancos localizadas em avenidas centrais da capital não aceitam mais fazer depósitos em dinheiro vivo nos caixas. A opção é o caixa eletrônico, versão que muitos correntistas torcem o nariz.
Conforme uma gerente de um desses bancos ouvidas pelo RealTime1, em dois anos, os funcionários dos bancos brasileiros não vão mais manusear dinheiro vivo, com todas as transações necessárias dos correntistas sendo realizada por meio eletrônico ou transferências interbancárias.
O mercado financeiro estima que toda a movimentação de dinheiro vivo, o papel moeda, será extinta a medida em que duas premissas – uma mercadológica e outra tecnológica – forem superadas: acesso universal a uma conta bancária e a internet de qualidade.
Estudo realizado em 2021 pelo Brink’s com a Fundação Dom Cabral apontou que 38,5% dos brasileiros não têm conta em banco e que medidas devem ser tomadas para garantir acesso às instituições bancárias, dispositivos eletrônicos e infraestrutura de internet confiável, evitando exclusão financeira involuntária.
A outra barreira mostra que ainda temos no Brasil 36 milhões de pessoas sem qualquer tipo de acesso a internet. Se levarmos em conta a má qualidade do acesso verificado no Amazonas, certamente a internet é um problema bem maior para o desaparecimento do dinheiro vivo.
Dinheiro x tecnologia x criminalidade
Economistas e políticos, contudo, estão otimistas com a digitalização da moeda e o fim do dinheiro como o conhecemos desde criança.
“A eliminação do papel-moeda traz benefícios significativos. Reduz a evasão fiscal, combate à lavagem de dinheiro, caixa dois e dificulta atividades ilegais, como malas de dinheiros e ‘rachadinhas’, promovendo transações rastreáveis e transparentes” afirma o economista José Carlos Dote, consultor financeiro da Associação Nacional dos Juízes do Trabalho (Anajustra), em artigo publicado em maio deste ano.
No Congresso Nacional, a extinção do papel moeda das transações correntes dos brasileiros é alvo de diversos projetos, sendo o mais avançados deles é o de número 4068/20, de autoria do atual líder do governo Lula na Câmara Federal, deputado Reginaldo Lopes (PT;MG).
Este projeto prevê que a “produção, a circulação e o uso de notas com valor superior a R$ 50 ficarão proibidos até um ano após a aprovação da futura lei. Para as cédulas de valor inferior, o prazo será de até cinco anos”.
Reginaldo Lopes também propõe que a Casa da Moeda do Brasil passará a ter entre as suas atribuições o desenvolvimento de tecnologias para transações financeiras, deixando assim de desenvolver e imprimir o dinheiro que os brasileiros carregam no bolso desde 1694, quando os administradores da colônia portuguesa criaram, em Salvador, essa instituição tricentenária.