O verão amazônico faz crescer a procura por cachoeiras e passeios regionais que envolvem nado com botos e o encontro das águas. Porém, a grande seca no Amazonas tem feito esse tipo de turismo ser prejudicado e empresários estão tendo que se adaptar ao novo momento.
“Todo trajeto é fluvial e a seca impacta diretamente no acesso às comunidades que participam do roteiro do passeio, prejudicando o roteiro”, disse o empresário Ilson Rogério, da Rogertur Agência de Turismo.
A vazante do Rio Negro deve continuar pelas próximas duas semanas, segundo especialistas, e na segunda-feira (16), conforme a estação de medição do Porto de Manaus, o rio atingiu a cota de seca de 13 metros e 59 centímetros, superando o recorde da vazante de 2010.
Um dos pacotes mais prejudicados no momento é o “Passeio Ecológico”, que é conhecido como passeio do encontro das águas e que contempla a visitação nas comunidades indígenas, nado com botos e comunidades flutuantes, levando o turista a uma verdadeira imersão na cultura e gastronomia da região.
Mas os pacotes para hotéis de selva também estão sendo prejudicados por causa do baixo nível dos rios.
Segundo o empresário, a demanda de turistas é sazonal mas tem diminuído bastante devido a estiagem, além de terem adaptados os passeios já que as comunidades indígenas do roteiro são nômades.
“Nós adaptamos os roteiros, as comunidades indígenas próximo ao perímetro urbano vivem no modelo nômade. Em período de seca, eles vivem em um perímetro, quando vem a cheia eles se mudam para áreas mais seguras, sempre próximo de comunidades, como o parque ecológico do Janauari que pertence ao município de Iranduba. Conseguimos adaptar os roteiros tanto na seca quanto na cheia. A demanda é sazonal. Nas datas comemorativas e feriados, a demanda é maior, porém diminuiu muito”, finalizou Ilson.
O empresário Wylker, da agência de turismo Aventurei, afirma que os roteiros de muitas atividades já são feitos pensando na seca e na cheia dos rios e as atrações são diferenciadas em cada época do ano.
“Hoje, nossa empresa atua na parte do turismo regional, passeio amazônico e passeio para Presidente Figueiredo. Todos os anos a gente sabe que tem a descida e subida dos rio, então já trabalhamos em cima desses fenômenos. Presidente Figueiredo, por exemplo, na época do inverno, fica com a lagoa mais azul, no verão ela fica verde. O fervedouro, no inverno, não ferve mais, e no verão as cachoeiras diminuem a quantidade de água e você consegue ficar mais perto delas e até fazer rapel”, explicou.
O empresário acredita que as notícias sobre a situação da seca severa acabam impactando no interesse de pessoas de fora do estado que poderiam vir fazer turismo aqui.
“As fotos que são divulgadas acabam diminuindo o desejo das pessoas de visitarem esses locais, sendo que Presidente Figueiredo é um dos poucos municípios que não foi atingido pela seca. Então, a gente usa o marketing para tentar atrair as pessoas e mostrar que o local continua lindo e assim continuar mantendo nossos passeios”, finalizou.
A Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (AmazonasTur) disse estar acompanhando os impactos da seca nas atividades econômicas do turismo. “A Amazonastur também já trabalha no planejamento de medidas para apoiar os operadores do turismo, caso a estiagem se estenda além do previsto”.
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