sábado, 26 de setembro de 2026
LOGÍSTICA

Férias coletivas já são realidade, o medo agora são as demissões

Ao menos 30 mil trabalhadores metalúrgicos deverão entrar em férias coletivas por conta da falta de insumos.
COMPARTILHE
Distrito Indutrial de Manaus
Produção Industrial de Manaus interrompeu ciclo negativo de três meses. (Arquivo)

Como o RealTime1 adiantou em 25 de setembro, as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) começaram a dar férias coletivas para aproximadamente 30 mil trabalhadores por falta de insumos para a produção. O desabastecimento de matéria-prima é causado pela vazante dos rios da Amazônia.

Nesta segunda-feira, a LG Eletronics deu início ao período de férias coletivas para parte de seus trabalhadores. A empresa é considerada a primeira a exaurir seus estoques de insumos, consumidos para atender parte das encomendas para a Black Friday, marcada para 24 de novembro.

Outras 34 empresas já sinalizaram para Suframa e Sindicato dos Metalúrgicos que vão parar parcialmente ou no total suas operações pelo menos até a primeira semana de novembro, quando há a expectativa de melhora nas condições logísticas nas hidrovias dos rios Amazonas e Madeira.

No total, existe a possibilidade de paralisação total ou parcial de outras 34 empresas dos mais variados polos de produção de Manaus. São industrias como a Yamaha, do polo duas rodas, ou a gigante chinesa do eletroeletrônico TPVision. Samsung também está no rol de empresas que darão férias coletivas.

“Navios com nossas matérias-primas estão parados na Vila do Conde, sem condições de navegar por conta do assoreamento na região do Tabocal, em Itacoatiara. Nossas alternativas logísticas se exauriram e a solução agora é dar as férias coletivas“, afirmou em off um diretor de fábrica ao Realtime1.

Na empresa desta fonte, 25% das linhas de produção serão paralisadas e os trabalhadores entram em férias coletivas na próxima segunda-feira (23). Na semana seguinte 50% das linhas remanescentes param e igualmente os trabalhadores vão para casa.

Férias coletivas é primeiro passo para demissões

Apesar de férias coletivas serem um instrumento para conter custos, o medo entre os metalúrgicos é de que após o período em casa venha a demissão, como tradicionalmente ocorre quando as empresas recorrem a esse instrumento.

Segundo um sindicalista envolvido nas discussões para homologação das férias coletivas para os aproximadamente 30 mil trabalhadores, haverá cláusulas de preservação de empregos, mas isso não é garantia pois as empresas podem bancar as “multas” e efetivar a demissão.

“O problema agora é que a maior parte da produção para black friday, Natal e Ano Novo ficou prejudicada. Se eles voltam a trabalhar na primeira quinzena de novembro, para que servirá essa produção? O medo é grande entre os trabalhadores”, diz este sindicalista.

Férias coletivas x black friday x preços

Outro efeito das dificuldades logísticas por conta da vazante e agora as férias coletivas dos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus será sentido nas promoções da Black Friday, o segundo melhor período para vendas do polo eletroeletrônico, superado apenas pelas compras de Natal.

O economista Sérgio Pantoja Santos disse que a lei da oferta e da procura vai atuar neste caso, pois com um produção menor neste ano, as ofertas da Black Friday não serão tão atrativas como em outros anos. A consequência será preços maiores.

Apesar das dificuldades, o superintedente da Suframa, Bosco Saraiva, está otimista. Em rápida conversa com o RealTime1, ele disse que as empresas estão alterando seus percursos logísticos e assim garantindo a entrada dos insumos. “Até o momento a produção segue normal”, disse Saraiva.

COMPARTILHE