Como o RealTime1 adiantou em 25 de setembro, as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) começaram a dar férias coletivas para aproximadamente 30 mil trabalhadores por falta de insumos para a produção. O desabastecimento de matéria-prima é causado pela vazante dos rios da Amazônia.
Nesta segunda-feira, a LG Eletronics deu início ao período de férias coletivas para parte de seus trabalhadores. A empresa é considerada a primeira a exaurir seus estoques de insumos, consumidos para atender parte das encomendas para a Black Friday, marcada para 24 de novembro.
Outras 34 empresas já sinalizaram para Suframa e Sindicato dos Metalúrgicos que vão parar parcialmente ou no total suas operações pelo menos até a primeira semana de novembro, quando há a expectativa de melhora nas condições logísticas nas hidrovias dos rios Amazonas e Madeira.
No total, existe a possibilidade de paralisação total ou parcial de outras 34 empresas dos mais variados polos de produção de Manaus. São industrias como a Yamaha, do polo duas rodas, ou a gigante chinesa do eletroeletrônico TPVision. Samsung também está no rol de empresas que darão férias coletivas.
“Navios com nossas matérias-primas estão parados na Vila do Conde, sem condições de navegar por conta do assoreamento na região do Tabocal, em Itacoatiara. Nossas alternativas logísticas se exauriram e a solução agora é dar as férias coletivas“, afirmou em off um diretor de fábrica ao Realtime1.
Na empresa desta fonte, 25% das linhas de produção serão paralisadas e os trabalhadores entram em férias coletivas na próxima segunda-feira (23). Na semana seguinte 50% das linhas remanescentes param e igualmente os trabalhadores vão para casa.
Férias coletivas é primeiro passo para demissões
Apesar de férias coletivas serem um instrumento para conter custos, o medo entre os metalúrgicos é de que após o período em casa venha a demissão, como tradicionalmente ocorre quando as empresas recorrem a esse instrumento.
Segundo um sindicalista envolvido nas discussões para homologação das férias coletivas para os aproximadamente 30 mil trabalhadores, haverá cláusulas de preservação de empregos, mas isso não é garantia pois as empresas podem bancar as “multas” e efetivar a demissão.
“O problema agora é que a maior parte da produção para black friday, Natal e Ano Novo ficou prejudicada. Se eles voltam a trabalhar na primeira quinzena de novembro, para que servirá essa produção? O medo é grande entre os trabalhadores”, diz este sindicalista.
Férias coletivas x black friday x preços
Outro efeito das dificuldades logísticas por conta da vazante e agora as férias coletivas dos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus será sentido nas promoções da Black Friday, o segundo melhor período para vendas do polo eletroeletrônico, superado apenas pelas compras de Natal.
O economista Sérgio Pantoja Santos disse que a lei da oferta e da procura vai atuar neste caso, pois com um produção menor neste ano, as ofertas da Black Friday não serão tão atrativas como em outros anos. A consequência será preços maiores.
Apesar das dificuldades, o superintedente da Suframa, Bosco Saraiva, está otimista. Em rápida conversa com o RealTime1, ele disse que as empresas estão alterando seus percursos logísticos e assim garantindo a entrada dos insumos. “Até o momento a produção segue normal”, disse Saraiva.