O Amazonas, a onça pintada da zona leste, subiu da série C do campeonato brasileiro para a B. Mais de 44 mil pessoas lotaram a Arena da Amazônia e vibraram com o feito. Certamente, vão torcer muito pelo time em 2024 e vibrarão com suas vitórias e, possivelmente, sofrer com suas derrotas.
Porém, sem entrar em questões esportivas, creio que há um outro aspecto que podemos abordar nesse assunto. O esporte, em especial o futebol, é um negócio. E dos mais lucrativos. Tirando os assuntos que “interessam” (saúde, segurança e educação), podemos dizer que o esporte é, talvez, o mais importante. Contudo, não se pode deixar de lado o aspecto comercial dele.
Em nome do apoio ao esporte e apostando no seu progresso na série C, só de emendas parlamentares foram destinados mais de R$ 15 milhões para o clube. Só a deputada Joana Darc destinou mais de R$ 3.5 milhões para o time da zona leste. A prefeitura de Manaus auxiliou com R$ 1 milhão o Amazonas e enviou uma quantia igual para o Manaus.
O governo estadual destinou R$ 7.5 milhões para os clubes locais, através da SEDEL e da FAF. O Amazonas e o Manaus, na série C, receberam R$ 1 milhão cada um.
Por alto, fora patrocínios específicos, juntando ALEAM, PMM e governo, foram quase R$ 20 milhões para os clubes da série C, sendo a maior parte para o Amazonas.
Subindo para a série B, o Amazonas entra em outro mundo, possivelmente não precisando mais desse “paitrocínio” oficial. Vejamos a razão.
Os contratos de transmissão estão em nome da BRAX, uma empresa de gerenciamento de eventos esportivos. O Sportv e o Premiere (grupo Globo) passam todos os jogos e para o Brasil inteiro. Em 2024, serão R$ 231 milhões a serem divididos por 20 clubes. Em um cálculo simples, podemos falar em algo em torno de R$ 11.550 milhões. Lembremos que a CBF paga os deslocamentos de avião, reservando 30 passagens e 18 quartos duplos. É uma grana “limpa”.
Além disso, há a presença quase onipresente das casas de apostas. Na série A, elas movimentam mais de R$ 330 milhões em patrocínios e investem em todos os clubes. Só o Corinthians fatura mais de R$ 35 milhões com esse setor. Clubes de menos torcida, como Goiás e Red Bull Bragantino faturam “apenas” R$ 5 milhões anuais nisso.
Não se pode esquecer o patrocínio nas camisas. Quando um clube joga em praças menores, sem transmissão ao vivo na tv e diante de adversários sem tradição, o valor do patrocínio na camisa é bem baixo. Entretanto, o Amazonas jogará diante de adversários de RJ, SP, RS, PR, BA, MG, sem falar que poderá enfrentar times tradicionais, como Vasco, Santos ou Corinthians. E isso tudo transmitido ao tv em rede nacional.
O Internacional recebe R$ 16 milhões anuais de um banco pelo patrocínio master (no meio da camisa). O Palmeiras fatura R$ 80 milhões com a Crefisa (exclusiva). O Vasco, em 2022, quando esteve na série B, recebeu R4 22 milhões em patrocínios. O Fortaleza recebia por seu patrocinador master cerca de R$ 2 milhões. O Cruzeiro, quando esteve na série B, fechou acordos que rendiam R$ 5 milhões anuais.
Isso quer dizer que o Amazonas, considerando as expectativas de público e transmissão e o tamanho dos adversários na série B, poderá fechar acordos que cheguem na casa dos R$ 5 milhões (Cruzeiro) ou que possam beirar os R$ 22 milhões (Vasco).
Em termos de renda, o jogo Amazonas x Botafogo PB rendeu mais de R$ 1.650 milhões. O público oficial foi de 44 mil presentes. O time local fará 19 jogos aqui, na Arena. Se tiver uma média de 40 mil pagantes, o que é possível, embora nem tão provável, poderá obter uma renda média de R$ 1.5 milhão. Da renda líquida, o vencedor do jogo fica com 60% e o perdedor, 40%. Se a renda líquida for de R$ 1 milhão, e o Amazonas vencer todos os jogos aqui, poderá ficar com cerca de R$ 11.400 milhões, na melhor das hipóteses.
Enfim, este breve exercício foi apenas para mostrar como não será preciso patrocínio oficial em 2024 para o Amazonas. Ele vai girar milhões em cotas de TV, patrocínios, renda e espaços no uniforme. Será hora de mostrar profissionalismo e planejamento, deixando as verbas públicas (em queda) para áreas vitais, como saúde, educação e segurança.