O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, ecoou as palavras do Ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao afirmar que a estatal pode recomprar refinarias privatizadas durante o governo Jair Bolsonaro, como foi o caso da Refinaria da Amazônia (Ream).
“Temos os desejos, planos de ministérios e do governo que, claro, guiam a gente, mas tudo tem seu tempo e sua razão. Há unidades e coisas que a Petrobras vendeu que simplesmente comprar de volta não resolve o problema. Há outras que não, que fazem realmente falta dentro do processo de transição para outras fases da indústria”, disse Prates.
O programa de privatizações do governo de Jair Bolsonaro vendeu três refinarias: a Landulpho Alves, hoje Mataripe; a Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá, hoje Ream, e a Unidade de Industrialização de Xisto, a SIX, do Paraná.
O grupo Atem comprou a Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá (Reman) em novembro de 2022 por R$ 1,3 bilhão. A operação privada começou em dezembro e já em fevereiro o amazonense passou a pagar os preços mais caros do País pelo combustível produzido na única refinaria da região Norte.
As diferenças de preços praticados nos Estados atendidos por refinarias da Petrobras e as privadas é um dos motivos apontados pelo ministro Alexandre Silveira para que a estatal avalie a recompra das unidades vendidas.

“O povo baiano e sergipano tem pago preços de combustíveis mais caros do que em regiões de influência das refinarias cujo controle é da Petrobras”, diz Alexandre Silveira, ao recomendar a Petrobras a recompra da Refinaria Mataripe, localizada na Bahia e que abastece parte do Nordeste.
O programa de privatizações do governo de Jair Bolsonaro vendeu três refinarias: a Landulpho Alves, hoje Mataripe; a Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá, hoje Ream, e a Unidade de Industrialização de Xisto, a SIX, do Paraná. Silveira não fez referências a Ream ou a SIX.
“O povo baiano e sergipano tem pago preços de combustíveis mais caros do que em regiões de influência das refinarias cujo controle é da Petrobras”, diz Alexandre Silveira, em uma nota no site do ministério
Sindipetro apoia recompra da Ream
O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas, Marcus Ribeiro, disse que a entidade vê com bons olhos a sinalização da Petrobras e do Ministério das Minas e Energia para a recompra da Ream.
“É fundamental garantir que este produto (os combustíveis) tenha preço baseado no mercado nacional e a recompra vai garantir isso para a população do Norte”, diz Marcus Ribeiro.
Ele afirma que a diferença de preços entre refinarias ficou mais evidente depois que a Petrobras acabou com a política de preços baseado no mercado internacional, a chamada PPI (preço de paridade internacional), mas não foi seguida pelo grupo Atem, donos da Ream.
“O PPI deixou de existir, mas a Atem mantém essa paridade (internacional) e isso traz como consequência os preços mais caros do País que pagamos no Norte. Isso tem impacto direto no bolso do trabalhador”, dia o sindicalista, defendendo que a recompra significará um alívio para as contas de quem tem carro.
O RealTime1 tentou ouvir o grupo Atem, mas não obteve resposta. Assim que se pronunciarem, este texto será atualizado