O preço dos combustíveis pago pelo amazonense desde a privatização da Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabá (Reman), hoje Refinaria da Amazônia (Ream), é considerado o mais alto do País, mas esse fato ainda não mobilizou completamente a bancada do Amazonas no Congresso Nacional.
Já os congressistas da Bahia estão afinadíssimos com a declaração do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, de que a Petrobras deve estudar a recompra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), hoje Refinaria Mataripe, por conta dos altos preços pagos pelos consumidores da Bahia e Sergipe.
Nesta terça-feira (19), por iniciativa do deputado federal Jorge Solla (PT/BA), a comissão de Fiscalização Financeira e Controle fez uma audiência para discutir a situação da Refinaria Mataripe e os preços praticados por ela no mercado Nordestino. Na justificativa da audiência Solla escreve:
“A refinaria baiana pratica os preços mais caros das capitais do país, só perdendo para a refinaria do Amazonas, a REMAN, também privatizada“, escreveu o baiano.
O vice-presidente da comissão de Fiscalização e Controle do Senado, senador Otto Alencar (PSD/BA), aprovou três pedidos de informações sobre a venda da RLAM, um negócio fechado pouco tempo depois do governo da Arábia Saudita ter dado joias de presente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Hoje no meu estado existe um monopólio dessa refinaria, tanto que se vende no meu estado óleo diesel e gasolina com o custo maior por litro do Brasil. (Após a venda) Surge essa relação com esse grupo Mubadala, que é um grupo da Arábia Saudita e essa relação com os presentes valiosos“, escreve Otto Alencar.
Privatização de refinarias
A Refinaria Mataripe e a Ream foram compradas no mesmo pacote de privatização promovido pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) no final do ano passado e, desde então, se alternam no ranking dos maiores preços praticados no País.
A Mataripe foi comprada por US$ 1,8 bilhão pelo fundo Mubadala, controlado pelo governo da Arábia Saudita e com sede no Emirados Árabes Unidos. A Remam foi arrematada pelo grupo Atem por US$ 257 milhões. A privatização envolveu ainda a Unidade de Industrialização de Xisto, a SIX, do Paraná.
Ream fora da pauta dos políticos do Amazonas
Uma eventual reversão da privatização da Ream é um assunto que está fora da pauta dos políticos do Amazonas. Em Brasília, somente o deputado federal Amon Mandel (Podemos) sinalizou interesse em participar da audiência sobre a venda da Mataripe.
Em entrevista ao RealTime1 Play, o assessor da presidência da Petrobras, Marcelo Ramos, disse que a venda da Ream foi um negócio “juridicamente perfeito” e, portanto, a empresa não teria razões ou interesse em reverter o negócio.
Coordenador da bancada do Amazonas no Congresso, o senador Omar Aziz (PSD) estava em trânsito para Brasília e não poderia falar com o RealTime1 sobre este tema que afeta o bolso dos proprietários de veículos no Estado.
O RealTime1 encaminhou um pedido de nota da Ream, por meio da assessoria, mas não obtivemos resposta sobre a possibilidade de ser recomprada pela Petrobras. Assim que responderem este texto será atualizado.