Com aumento de 39,1% nos focos de queimadas, neste ano, de acordo com dados fornecidos pelos satélites do Inpe, o Amazonas pode amargar mais um triste índice em decorrência do crime ambiental: O aumento no número de mortes pela Covid-19.
A relação entre os índices foi ratificada pela pneumologista e professora da Universidade Federal do Amazonas, Socorro Cardoso.
“Nós sabemos que um dos órgãos mais atingidos pela Covid-19 é o pulmão e a fumaça das queimadas é altamente tóxica. Estudos apontam a relação dela com doenças como câncer, logo, certamente se essa fumaça afetará quem estiver com a Covid-19”, explicou a especialista.
Com mais de 60 mil casos confirmados do novo coronavírus, Manaus já foi o epicentro da pandemia no país e ainda pode voltar a apresentar picos em julho e agosto, devido à abertura gradual das atividades.
Cidades ao sul também preocupam
Já no ano passado, os índices de queimadas na Amazônia foram tão alarmantes que a fumaça dos incêndios daqui escureceu o céu de São Paulo e chamou atenção, do Brasil e do mundo.
Somente de janeiro a junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 455 focos de incêndio no Estado. No mesmo período do ano passado foram registrados 327.
Cidades como Boca do Acre, Humaitá, Apuí e Novo Aripuanã preocupam por estarem próximas as áreas com maior focos de queimada e por apresentarem incidência da doença.
De acordo com o boletim epidemiológico, divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Boca do Acre tem 583 casos confirmados e nove mortes, Humaitá registrou 511 casos e 11 mortes e Novo Aripuanã 368 casos e 8 mortes até o dia 22 de junho.
Perigo Iminente
A possibilidade de aumento dos casos letais de Covid-19 por conta das queimadas na Amazônia já é inclusive reconhecida pelos setores ambientais.
Em nota, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) afirmou que a temporada de secas e queimadas na Amazônia Brasileira poderá provocar mais mortes na região.
A fumaça sempre foi problema de saúde pública grave. Todo ano, com mais intensidade nesta época, há aumento no número de internações e atendimentos a problemas respiratórios.
Caso as queimadas não sejam combatidas, esse aumento no número de pacientes pode voltar a causar o colapso o sistema de saúde pública, além de agravar o quadro das pessoas contaminadas pelo coronavírus