quarta-feira, 23 de setembro de 2026
NEGOCIAÇÕES

Grupo Oliveira perto de vender concessão da Amazonas Energia

Quase cinco anos após a privatização da Amazonas Energia, grupo do empresário Orsine Oliveira está próximo de passar o negócio adiante.
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A Aneel aprovou um repasse de R$ 451,4 milhões para a distribuidora Amazonas Energia.

O grupo Oliveira Energia espera concretizar, nesta semana, os últimos detalhes para a venda da Amazonas Energia e concentrar seus negócios no setor de produção independente. A medida vem após uma série de revezes comerciais e jurídicos que inviabilizaram a operação, comprada em 2018.

O RealTime1 apurou que executivos do futuro controlador estarão em Manaus nessa semana para concretizar a compra da Amazonas Energia, um negócio cujas primeiras tratativas foram reveladas pelo serviço de notícias Scoop, que trabalha com informações da B3, antiga Bolsa de Valores de São Paulo.

Privatizada no fim de 2018 por simbólicos R$ 50 mil, a Amazonas Energia foi comprada por um consórcio formado pela Oliveira Energia, do empresário Orsine Oliveira, e Atem, da família Dib. Os dois grupos são genuinamente amazonenses

A companhia tinha à época um passivo de aproximadamente R$ 3 bilhões com a Eletrobras, por meio da subsidiária Eletronorte. O consórcio também comprou a Roraima Energia, a distribuidora do Estado vizinho.

Os problemas da Amazonas Energia

As dificuldades operacionais da Amazonas Energia começaram logo em 2019 com a saída da Atem do consórcio para se preparar para o leilão da Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá, negócio concretizado em dezembro do ano passado.

O mercado estima que Orsine Oliveira pagou R$ 1,8 bilhão a Atem para ficar com o negócio sozinho. Isso teria enfraquecido os cofres da Oliveira Energia, que um ano antes tinha desembolsado outro R$ 1 bilhão para construir 42 Produtores Independentes de Energia em 42 municípios do interior do Amazonas.

Outro baque foi o rompimento do cabo subaquático que leva energia para os municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, em julho de 2019, que causou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão em indenizações devidas aos consumidores e a reconstrução dessa linha de transmissão.

De acordo com dados do relatório da CPI da Amazonas Energia, presidida pelo deputado Sinésio Campos (PT) na Assembleia Legislativa do Amazonas, o passivo da empresa chega hoje a R$ 7,5 bilhões e, por isso desde novembro Orsine busca vender a concessão ou buscar um sócio para evitar a reestatização.

A CPI na Assembleia foi outra fonte de dor de cabeça para a Amazonas Energia, que por conta dela viu fracassar a principal iniciativa pra cortar o “roubo” de energia, a instalação de medidores aéreos.

Negociação da Amazonas Energia via BTG Pactual

O banco BTG Pactual foi contratado pela Oliveira Energia para prospectar oportunidades para recuperar a Amazonas Energia e abriu negociações com os grupos Equatorial e Energisa, além do EDP Brasil, que pertence ao maior produtor de energia de Portugal, a EDP.

O Equatorial está presente no setor de distribuição de energia nos Estados de Goiás, Piauí, Maranhão e Pará. Já a Energisa controla a distribuição no Acre, Rondônia e Paraíba

No Amazonas houve conversas com o fundo Cambuhy Investimentos, que ao lado do próprio BTG Pactual, é o dono da Eneva, empresa que explora gás natural no campo de Azulão, no município de Silves, Região Metropolitana de Manaus. O negócio não prosperou

A Camuhy Investimento pertence aos irmãos Fernando, Walther, Pedro e João Moreira Salles, que juntos formam uma das famílias mais ricas do Brasil segundo a Forbes. Walther e João são também conhecidos por serem cineastas e documentaristas premiados no País e no Exterior.

O RealTime1 tentou ouvir a Amazonas Energia, mas até o momento não obteve resposta sobre essa possibilidade de venda. A empresa assim repete a tática adotada com o Scoop e UOL, que deram em novembro matérias anunciando essa venda da concessão.

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