O Ministro das Minas e Energias, Alexandre Silveira, defendeu a recompra da refinaria Mataripe (BA), privatizada no governo de Jair Bolsonaro (PL) no mesmo pacote que envolveu a venda da Refinaria da Amazônia (Ream) ao grupo Atem.
Alexandre Silveira considerou a venda da refinaria Mataripe ao grupo Acelen um equívoco do governo passado e ressaltou a importância de recomprá-la. A Acelen é controlada pela Mubadala Capital, que por sua vez pertence ao Fundo Soberano dos Emirados Árabes Unidos.
O programa de privatizações do governo de Jair Bolsonaro vendeu três refinarias: a Landulpho Alves, hoje Mataripe; a Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá, hoje Ream, e a Unidade de Industrialização de Xisto, a SIX, do Paraná. Silveira não fez referências a Ream ou a SIX.
“Entendemos do ponto de vista da segurança energética e da nova geopolítica do setor de petróleo e gás, respeitadas as regras de governança da Companhia, que a Petrobras deve avaliar recomprar a RLAM (Landulpho Alves)”, diz Alexandre Silveira.
Um dos argumentos usados por Alexandre Silveira para justificar a recompra está no preço dos derivados entregues pela Mataripe aos consumidores da Bahia e de Sergipe.
“O povo baiano e sergipano tem pago preços de combustíveis mais caros do que em regiões de influência das refinarias cujo controle é da Petrobras”, diz Alexandre Silveira, em uma nota no site do ministério.
Alexandre Silveira x Preços da Ream
Se o ministro Alexandre Silveira adotar o mesmo argumento, mas olhando para a Refinaria da Amazônia (Ream) irá concluir que o mesmo problema de baianos e sergipanos é vivenciado pelo consumidor amazonense, que tem pago os preços mais salgados do Brasil pelo litro dos combustíveis que compram nas bombas.
De acordo com o Levantamento de Preços de Combustíveis feito pela Agência Nacional de Petróleo, na última semana de agosto e até o sábado (2/9), o consumidor amazonense pagava o terceiro maior preço de gasolina aditivada do País: R$ 6,62, atrás apenas de Rio Branco (R$ 6,68) e Porto Velho (R$ 6,65).
Ainda conforme a ANP, o consumidor amazonense pagou o segundo maior preço pelo litro da gasolina comum: R$ 6,58, abaixo apenas do preço praticado em Rio Branco, que estava a R$ 6,64. A gasolina comum em Salvador, atendida pela Maturipe que Alexandre Silveira quer recomprar, é de R$ 5,97.
O RealTime1 tentou ouvir a Ream, por meio da assessoria, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta sobre a possibilidade de ser recomprada pela Petrobras. Assim que responderem este texto será atualizado.
A fala do ministro difere do que pensa o assessor da presidência da Petrobras, Marcelo Ramos, que em entrevista ao canal RealTime1 Play defendeu que os “atos juridicamente perfeitos”, como a privatização das refinarias pelo governo passado, não devem ser revisados pela atual gestão da Estatal do petróleo.