Recém nomeado presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos), do Amazonas, deu uma entrevista à Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (16) em que fala, entre outras coisas, sobre a relação do grupo com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Aliado do então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o último mandato, o parlamentar declarou que não é “amigo” de Lula, nem da esquerda, mas que negar o diálogo com o petista iria contra sua “formação cristã”.
Silas transita bem entre os ministros do atual governo e tem servido de ponte entre a gestão federal e prefeitos do interior do Amazonas, por exemplo. Contudo, ele nega ser próximo do Partido dos Trabalhadores (PT), como foi aventado durante a disputa para o comando da frente evangélica.
“Não faz sentido [ser próximo do PT] porque não sou amigo do Lula nem da esquerda, só sou uma pessoa de diálogo”, ressaltou à Folha.
“Ser de diálogo não é ser aliado. Conversar não é ceder. Minha formação cristã me ensina assim, e é o que diz a Bíblia: Sempre que possível, devemos ter paz com todos. Quem parla, conversa”, acrescentou.
Bolsonaro ainda é o favorito dos evangélicos
De acordo com Silas, apesar dos escândalos em torno de Jair Bolsonaro, o ex-presidente ainda é o favorito do colegiado evangélico e da comunidade como um todo.
“Não acredito [que a situação judicial de Bolsonaro] que seja um incômodo. Enquanto não transitado em julgado, condená-lo ou julgá-lo por antecipação é algo que os evangélicos não costumam fazer”, destacou.
STF atropela o Legislativo, diz Silas Câmara
Ao citar o processo que julga a descriminalização da maconha, o parlamentar apontou na entrevista que há um “atropelo” dos magistrados sobre o Legislativo.
“Falava-se tanto, no governo passado, sobre a forma indevida de relacionamento entre Poderes, e agora fica provado que, na verdade, o STF avança sobre a pauta tanto do Executivo quanto do Legislativo, o que é inconstitucional e lamentável”, concluiu.
No sétimo mandato na Câmara dos Deputados, Silas é o membro de uma família poderosa nas Assembleias de Deus da região Norte e já chefiou a bancada em 2019 e 2020, primeiro biênio de Jair Bolsonaro no poder.
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