Os povos indígenas da bacia Amazônica, reunidos para a Cúpula da Amazônia, em Belém (PA), divulgaram, nesta segunda-feira (7), uma Carta Aberta cobrando dos chefes de Estados que participarão do encontro 18 compromissos com os povos originários com vistas ao combate as mudanças climáticas.
A Carta Aberta é assinada por entidades de indígenas da Amazônia internacional reunidos desde a última sexta-feira (4), em Belém, no encontro Diálogos Amazônicos, preparatório para a cúpula propriamente dita. As entidades que assinam a carta aberta são:
- Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB);
- União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB);
- Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB);
- Organização Indígena de Suriname (OIS);
- Associação dos Povos Ameríndios (APA) da Guiana Inglesa;
- Confederação das Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana (CONFENIAE);
- Federação dos Povos Indígenas da Guyana Francesa (FOAG);
- Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB);
- Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (OPIAC).
Dentre os principais pontos das reivindicações, os indígenas da Amazônia cobram que a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas de 2007 precisa ser adotada, implementada e respeitada por todos os países.
Eles destacam também que embora representem 2% da população mundial, são responsáveis por conservar 80% de toda a biodiversidade do planeta.
Os indígenas também afirmam que as políticas desenfreadas e irresponsáveis de desenvolvimento estão levando a Amazônia a um ponto crítico de não retorno e com isso ao extermínio dos povos indígenas
“Tudo isso causados principalmente pelo desmatamento, a mineração, a exploração e extração de petróleo e gás, a poluição e contaminação dos rios e a exploração de recursos naturais para abastecer as cadeias produtivas globais”, escrevem os indígenas.
Indígenas da Amazônia pressionam presidente em cúpula
A Cúpula da Amazônia acontecerá, nesta terça-feira (8) e quarta-feira (9), em Belém, e contará com a presença de presidente dos oito países integrantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônia (OTCA).
Os chefes tiveram um exemplo da pressão dos indígenas na reunião plenária “Povos Indígenas das Amazônias: um novo projeto inclusivo para a região”, que aconteceu no domingo.
O diretor-executivo da OTCA, embaixador brasileiro Carlos Lazary, disse que os trabalhos com os povos indígenas é um dos eixos fundamentais da entidade e que o diálogo permanente será a chave para, por exemplo, a proteção de povos de pouco ou nenhum contato.
Presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapixana, destacou que quando se pensa na Amazônia, é preciso olhar o povo que vive na região como um todo.
“Os povos indígenas fazem parte da Amazônia e fazem sua colaboração a partir dos seus próprios valores, manejos sustentáveis, da forma como lidam com a terra. Por isso, é importante a demarcação das terras indígenas“, disse Wapixana.
Wapixana completou afirmando que estudos indicam que as áreas mais protegidas são onde estão os povos indígenas, que além de proteger a biodiversidade, “tem uma riqueza cultural muito grande”.
Uma das estrelas do encontro, o cacique da tribo Kayapó Raoni alertou sobre as mudanças climáticas que ele tem percebido.
“Estamos vivenciando os sinais de mudanças, fazendo muito calor, intenso, e também, ventos fortes. No mito Kayapó, nos tempos dos nossos ancestrais havia o homem, e o nosso criador nos traz o sol. Os brancos não sabem disso, os brancos não sabem que esse tempo de muito calor pode voltar de novo”, disse.
O diretor do departamento de Povos Indígenas do Ministério da Saúde do Peru, Roman Galán e o senador da Colômbia, Julio Cordero, ressaltaram a importância da cooperação para garantir a proteção dos povos indígenas.
A indigena, Weya Cahuya, da etnia Waodani, do Equador, também destacou que todos os indígenas da região amazônica, dos oito países, devem se unir para defender os demais parentes em prol da sua sobrevivência e desenvolvimento.