A Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) vive um dos momentos mais inovadores de sua história.
Vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM), a instituição consolidou, no primeiro semestre de 2025, uma série de avanços tecnológicos, logísticos e estratégicos que a colocam entre os principais centros de excelência em hematologia e hemoterapia do Brasil.
“Essas iniciativas colocam o Hemoam na dianteira da medicina diagnóstica no Brasil, beneficiando pacientes com mais precisão, agilidade e segurança nos resultados, o que favorece a melhor escolha do tratamento”, afirmou a diretora-presidente do Hemoam, dra. Socorro Sampaio.
Inteligência Artificial transforma diagnóstico laboratorial
O Departamento de Análises Clínicas (DAC) do Hemoam passou por uma verdadeira revolução com a incorporação de Inteligência Artificial (IA) aos processos de diagnóstico.
Desde meados de 2024, a Fundação investe em equipamentos de ponta, como o GenAsis (tecnologia aplicada ao exame de cariótipo Banda G) e o CellaVision DM9600, inédito na rede pública da Região Norte.
Com o GenAsis, o Hemoam foi pioneiro no Sistema Único de Saúde (SUS) ao adotar uma solução que reduz o tempo de análise de exames citogenéticos de até 40 dias para até sete dias nos casos urgentes.
Já o CellaVision, doado em 2025 pela “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, permite a análise digital automatizada de até 96 lâminas de hemograma por hora.
“Essa tecnologia, já consagrada no Brasil em hospitais privados, inaugura nos serviços públicos da região Norte as mais avançadas tecnologias de diagnóstico de doenças hematológicas”, destacou a presidente da fundação.
Além disso, a equipe do Laboratório de Marcadores Celulares foi treinada para operar o novo citômetro de fluxo FacsLyric, que permitirá a adoção do protocolo europeu EuroFlow, com identificação assistida por IA para o diagnóstico e classificação de leucemias infantis e crônicas.

Teleconsultas ampliam atendimento no interior
A modernização também chegou ao atendimento de doadores de sangue do interior do Amazonas. Desde o início de 2025, o Hemoam passou a oferecer teleconsultas mensais a pacientes com sorologia reagente para infecções como HIV, Hepatite B, Hepatite C, Sífilis, HTLV e Chagas, em oito municípios-polo do estado.
Somente em 2024, 181 bolsas de sangue com sorologia positiva foram descartadas, representando 3,17% do total.
“A consulta online garante que o doador receba orientação adequada mesmo em locais onde o acesso à medicina especializada é muito difícil”, explicou a gerente da Hemorrede do Interior, Rejane Medeiros. A consulta inclui explicação do laudo e encaminhamento ao tratamento especializado, sempre respeitando o sigilo e a privacidade do doador.
Parceria que fortalece a segurança transfusional
Em uma iniciativa inédita no estado, o Hemoam firmou parceria com o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) para a implantação do programa Patient Blood Management (PBM).
O modelo é baseado em protocolos internacionais de uso racional do sangue, com foco na segurança do paciente e redução de desperdícios.
De acordo com o diretor técnico do Hemoam, Dr. Sérgio Albuquerque, o PBM pode gerar impacto direto na saúde pública e na economia do Estado. “Temos o exemplo do Hemoce, que economizou mais de R$ 100 milhões em oito anos com o PBM”, enfatizou.
Além disso, um simpósio sobre o tema está previsto para novembro de 2025, em parceria com o CREMAM.
Credenciamento internacional
Outro marco do semestre foi o credenciamento do Hemoam para envio de plasma excedente à Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás).
A certificação foi concedida pela multinacional suíça Octapharma, uma das maiores do setor, após rigorosa auditoria que envolveu todas as etapas do ciclo do sangue.
“O credenciamento é resultado direto da seriedade na gestão, do comprometimento técnico e do rigor na produção de hemocomponentes. É um avanço histórico. O que antes era descartado, agora será transformado em medicamento para muitos pacientes”, celebrou dra. Socorro Sampaio.
A expectativa é que a primeira remessa, com cerca de 5 a 7 mil bolsas de plasma, seja enviada entre o final de julho e o início de agosto.

O material será processado na Suíça e retornará ao Brasil na forma de medicamentos biológicos de alto custo, como fatores de coagulação, imunoglobulinas e albumina humana, que serão distribuídos gratuitamente pelo SUS.
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