quarta-feira, 23 de setembro de 2026

TRF1 nega retirada de processo contra mineração da Potássio Brasil em Autazes

Recurso contesta competência da 1ª Vara Federal do Amazonas de julgar o processo contra empresa, que quer minerar em terras indígenas em Autazes, no interior do AM.
COMPARTILHE
Ação do MPF, em 2016, solicita suspensão de licenciamento estadual concedido de forma irregular à mineradora, para exploração de potássio em Autazes (Foto: Reprodução)
Ação do MPF, em 2016, solicita suspensão de licenciamento estadual concedido de forma irregular à mineradora, para exploração de potássio em Autazes (Foto: Reprodução)

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou, na última sexta-feira (14), a retirada, da 1ª Vara Federal do Amazonas, de processo contra a empresa Potássio do Brasil, que envolve a mineração em terras indígenas no município de Autazes, distante 113 quilômetros a sudeste de Manaus.

Também foi recusada a contestação da responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a emissão de licenciamento ambiental de projeto da mineradora.

A ação proposta pelo MPF em 2016 solicita a suspensão de licenciamento estadual concedido de forma irregular à mineradora para exploração de potássio no município de Autazes.

Em recurso, a União, após seis anos da tramitação da ação, questionou a incompetência da 1ª Vara Federal para julgar o caso, defendendo que trata-se de matéria ambiental e não indígena, o que foi negado por decisão do desembargador federal Jamil Rosa de Jesus Oliveira.

Impacto em Terras Indígenas

Para o MPF, é fato incontestável que o empreendimento está sobreposto à Terra Indígena (TI) Jauary, da etnia Mura, com impactos também à TI Paracuhuba e outras comunidades da região, o que afirma a competência da 1ª Vara Federal e exige licenciamento federal pelo Ibama.

Sobre o impacto a terras indígenas, foi realizada inspeção judicial, em março de 2022, que demonstrou que a base de exploração e perfuração do empreendimento incide sobre áreas tradicionais, onde são realizadas atividades e coleta de frutos, extrativismo de castanha, além de caça e pesca.

Conforme o próprio dirigente da Potássio do Brasil e a liderança indígena da aldeia Soares, as estruturas minerárias seriam construídas a aproximadamente 2 quilômetros da área de moradia e dentro do território de uso tradicional do povo Mura.

Com informações da Assessoria

Leia Mais:

COMPARTILHE