O desmatamento ilegal avançou na Amazônia, em fevereiro de 2023, conforme dados preliminares registrados pelo Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). É o terceiro ano seguido de aumento na destruição da cobertura florestal de um dos biomas mais preservados do mundo. Em duas semanas do mês, a região perdeu 208,7 quilômetros quadrados de floresta, área duas vezes maior que toda a extensão territorial de Portugal.
Os dados se referem ao monitoramento do órgão entre os dias 1º e 17 de fevereiro. A extensão de florestas derrubadas pelo crime ambiental soma uma extensão de terras superior à área total do maior município brasileiro: Altamira (PA), que possui 159.533,730 quilômetros quadrados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Em 2023, já são mais de 375,3 km² de área desmatada na Amazônia, segundo os dados do Inpe. Os números são preocupantes e o governo precisa correr contra o tempo, com medidas efetivas para controlar o problema, avalia o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
“O Brasil já reduziu as taxas de desmatamento no passado e o atual governo tem plenas condições de voltar a baixá-las drasticamente nos próximos anos”, avalia o diretor executivo substituto do IPAM, Paulo Moutinho.
Os números de fevereiro representam o terceiro ano de crescimento consecutivo dos índices de desmatamento e quebram o recorde registrado no ano passado, quando foram derrubados 198,6 km² de floresta.
“A destruição da Amazônia é a destruição do maior tesouro do povo brasileiro. Esse desmatamento ameaça não só a biodiversidade da região, como todo o nosso regime de chuva e a segurança alimentar de milhões de pessoas. Nós já sabemos como parar esse desmatamento e é fundamental que comecemos a controlar esse avanço da destruição”, afirma Moutinho.
O IPAM relembra que a floresta amazônica é fundamental para a regulação do clima brasileiro, levando umidade para outras partes do país e assim regulando chuvas, volume de reservatórios. Segundo o órgão, a destruição da floresta tem consequências seríssimas para a produção de alimentos e o agronegócio, quase que totalmente dependente de chuvas para sua irrigação, assim como para a saúde da população, que sofrerá com o clima mais extremo e imprevisível.
De acordo com o IPAM, o desmatamento ilegal das florestas é facilitado pela não demarcação de florestas públicas, que se unem às terras indígenas e às unidades de conservação para fazer fluir a umidade para o resto do Brasil. Além disso, o órgão denuncia a existência de fraudes no sistema de Cadastro Ambiental Rural, o CAR.
“Dos 56,5 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas na Amazônia, 18,6 milhões de hectares possuem CARs ilegais sobrepostos às áreas preservadas”, diz o órgão.
Da Redação, com informações do IPAM
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