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terça, 26 de outubro de 2021

Ações de combate à hanseníase são intensificadas no interior do AM

A iniciativa visa a detecção precoce de novos casos de hanseníase para início de tratamento imediato, com a quebra da cadeia de transmissão.

23 de junho de 2021

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O diagnóstico precoce também eleva as chances do paciente não desenvolver deformidades, garantindo maior qualidade de vida a esse paciente (Foto: Divulgação)

O Governo do Amazonas autorizou a criação de uma força-tarefa para execução do Projeto Ação para Eliminação da Hanseníase – Apeli em municípios do interior do estado. Nesta primeira etapa, a Fundação Alfredo da Matta (Fuam), órgão ligado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e que coordena a iniciativa, tem como meta visitar quatro municípios do interior do estado, no segundo semestre deste ano de 2021.

A primeira força-tarefa está agendada para o período de 12 a 29 de julho, no Careiro Castanho, município distante 88 quilômetros de Manaus, na Região Metropolitana.

Segundo o diretor-presidente da Fuam, Ronaldo Amazonas, o início das ações do Apeli foi possível graças aos recursos liberados pelo Governo do Amazonas.

“Com a liberação de R$ 528 mil pelo Governo do Estado, será possível viabilizar a ida das equipes de profissionais aos municípios previstos para o ano”, afirma o diretor-presidente. O projeto, informa ele, contou ainda com recursos de R$ 1 milhão, disponibilizados via emenda parlamentar do deputado federal Bosco Saraiva para a Fuam, que viabilizaram a compra de medicamentos e insumos.

Além da visita ao Careiro Castanho, outros três locais devem receber equipes da Fuam até o final de 2021: Lábrea, em setembro; Novo Aripuanã, em outubro; e São Gabriel da Cachoeira, em novembro.

Força-tarefa

Na prática, para cada força-tarefa do projeto Apeli será elaborado um plano de ação específico, por município.

De acordo com a realidade e situação epidemiológica de cada localidade, serão definidas as atividades a serem realizadas num determinado período, com metas a serem cumpridas pelas equipes – como, por exemplo, um percentual da população a ser examinada para uma efetiva busca de novos casos de hanseníase, uma das principais estratégias do Apeli.

A Fuam já iniciou a organização das equipes de trabalho, que serão compostas, em média, por 30 profissionais, entre técnicos, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistente social e psicólogos, além de equipe de apoio administrativo.

Dentre as ações previstas, além da busca ativa de novos casos de hanseníase, serão realizados exames dermatológicos em contatos de pacientes (ou seja, aquelas pessoas que mantém convívio com um paciente); treinamento para profissionais de saúde sobre hanseníase; monitoramento dos casos notificados pelo município; atividades educativas para a população; dentre outras ações para a manutenção da vigilância epidemiológica e busca ativa de casos novos na localidade visitada.

Além da hanseníase, uma vez em campo, as equipes da Fuam farão atendimentos de outras dermatoses e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), levando ao município medicamentos necessários aos atendimentos.

A definição de quais locais serão prioritários para o Apeli tem como base a situação da hanseníase em cada localidade. “Os municípios que irão receber ações do Apeli foram escolhidos levando em consideração a situação epidemiológica da hanseníase em cada um deles. Fizemos um estudo para identificar quais seriam os prioritários”, explica Ronaldo Amazonas.

Retomada do Apeli

As ações de combate à hanseníase executadas pela Fuam nos municípios do interior tiveram que ser interrompidas em 2020, devido à pandemia de Covid-19, que ocasionou a suspensão do deslocamento de profissionais aos municípios e comunidades. O início do Apeli que estava programado para aquele ano teve que ser adiado.

Neste novo momento da pandemia, com vacinação em massa de profissionais da saúde e de vários grupos da população, a Fuam planeja a retomada das ações, sempre atentando aos cuidados sanitários necessários.

Ações

O Apeli tem como objetivo reduzir a carga da hanseníase no Amazonas, com vistas a sair de uma situação de alta endemia para baixa endemicidade. A iniciativa visa a detecção precoce de novos casos de hanseníase para início de tratamento imediato, com a quebra da cadeia de transmissão. O diagnóstico precoce também eleva as chances do paciente não desenvolver deformidades, garantindo maior qualidade de vida a esse paciente.

Nas visitas, as equipes do Projeto Apeli promovem a investigação de contatos (aqueles que convivem com um paciente diagnosticado) e o reforço ao sistema de vigilância epidemiológica, além de realização de campanhas educativas, sensibilização e treinamento de profissionais de saúde, incluindo equipes locais para manutenção das atividades nos municípios.

O estado apresenta, em média, uma taxa de detecção que o classifica como “média” endemicidade (quando há de 2 a 9,99 casos por 100 mil habitantes). No entanto, quando se avalia a situação epidemiológica de cada município, verificam-se regiões mais endêmicas, como as do Purus, Juruá e Médio Amazonas, onde há municípios com taxa de detecção considerada muito alta (de 20 a 39,99 casos por 100 mil habitantes) e de alta endemicidade (de 10 a 19,99 casos por 100 mil habitantes).

Treinamentos

Uma preocupação da equipe do Centro de Referência é deixar o município preparado para dar continuidade nas estratégias de combate à hanseníase. Assim, um dos pilares do trabalho são os treinamentos de equipes de profissionais locais para manutenção das atividades.

Nesse sentido, as viagens para supervisão viabilizam uma aproximação das equipes de profissionais do Centro de Referência em Hanseníase com as equipes locais. O intuito é intensificar e otimizar o combate à doença na localidade supervisionada, criando-se condições para que o próprio município conduza o trabalho após a saída das equipes da Fuam, como um legado para a população, cabendo ao Centro visitas periódicas para supervisão e orientação.

Com informações da assessoria

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