quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Sem delivery ou drive trhu metade da hotelaria de Manaus pode fechar

Sem os recursos do delivery e do drive trhu, que salvaram outros segmentos, a rede hoteleira de Manaus definha a cada dia de pandemia. Alguns hotéis fecharam e não devem reabrir.
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O setor hoteleiro foi o que mais sofreu com a pandemia. Nenhum setor da economia perdeu tanto e a previsão é de fechamento de aproximadamente 50% dos hotéis de Manaus até o fim do ano. “Vários hotéis já demitiram todos os funcionários e estão fechados. Não temos o que fazer”, lamenta Roberto Bulbol, presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira no Amazonas (ABIH-AM).

Mas porque a hotelaria teve tanto prejuízo? Simples. Ao contrário da maioria dos segmentos comerciais da cidade, os hotéis não tiveram o benefício do delivery ou do drive thru. Os hóspedes simplesmente desapareceram. “Se os hospedes não vêm até nós, não temos como ir até eles. Nada podemos fazer a não ser cortar custos”, completou Bulbol.

“Temos 127 hotéis associados. Devemos ter só uns dez funcionando. A nossa taxa de ocupação hoje não chega em 8%. Hoje trabalhamos com oferta de no máximo 500 apartamentos. Nós chegamos a ter oferta no mercado de quase 5.200 apartamentos”, lembrou.

O presidente da ABIH-AM garante que esta é a pior crise enfrentada pelo setor em toda sua história. E, ao mesmo tempo, diz que é quase impossível sair dela sem grandes perdas. O isolamento do Amazonas é o principal entrave.

“Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, enfim, as demais capitais do País são ligadas ao restante do Brasil por rodovias. Não temos essa facilidade. Dependemos basicamente do transporte aéreo, outro setor que ainda vai sofrer muito para se recuperar”, completa.

Impacto negativo

O impacto negativo na economia com o fechamento dos hotéis é muito maior do que se imagina. Todos, ou pelo menos 99% deles, oferecem serviços de restaurante, lavanderias, eventos e reuniões de negócios. Segundo Bulbol, cerca de 2.500 empregos já estão comprometidos.

O próprio presidente da Associação sente na pele a gravidade do problema. Proprietário de dois hotéis no Centro Histórico teve que fechar um deles. E o outro funciona com apenas 10% de sua capacidade.

O mesmo aconteceu com Paulo Tadros, dono de um hotel no Centro que está praticamente fechado. Ex-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV-AM), Paulo vê com tristeza seu patrimônio se deteriorar com a ação do tempo.

“O custo para manter o hotel fechado é muito alto. É preciso pessoal para manter limpo e tentar evitar quer a umidade tome conta de tudo. Se não fizerem alguma coisa, o destino é mesmo o fim das atividades”, disse Paulo Tadros.  

Retorno do turista

A rede hoteleira de Manaus vivia, até o início da pandemia, exclusivamente do turismo. Principalmente o turismo de eventos, que movimentava o fluxo de hospedes na cidade. E a previsão da Organização Mundial do Turismo é pessimista. Mesmo com a reabertura das fronteiras, o turismo no Brasil vai chegar ao fim do ano com apenas 30% de viagens confirmadas.

O Ministério do Turismo tem anunciado medidas de auxílio ao trade turístico. Mas, segundo os hoteleiros de Manaus, somente com ações mais efetivas por parte das autoridades municipais e estaduais a quebradeira do setor poderá ser minimizada.

“Já perdemos o Tropical Hotel e o Caeser Business, que fecharam por pressão financeira. E outros irão pelo mesmo caminho enquanto não mexerem na nossa taxa tributária, que é muito alta, é nas despesas fixas, como tarifas de energia e água”, encerra Paulo Tadros.

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