quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Empregos do Amazonas mais uma vez em cheque com redução do IPI

Redução do IPI de concentrados preocupa bancada federal do AM. Bolsonaro anunciou que, ao longo do mandato, pretende reduzir a alíquota em 4% e até zerar o imposto.
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Com a validade para expirar no dia 30 de novembro, o decreto presidencial que estabelece a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 8% tem preocupado a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que, ao longo de seu mandato, pretende reduzir a alíquota do imposto em 4% para as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) até chegar ao fim do incentivo.

Deputados federais e senadores disseram ao RealTime1 que a incerteza quanto ao percentual da alíquota gera instabilidade jurídica e pode resultar no fechamento de empresas de concentrados na Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Sandice”

O senador Eduardo Braga (MDB) disse à reportagem que a diminuição na alíquota do IPI dos concentrados, a qual chamou de “sandice”, iniciou no governo de Michel Temer (MDB) que reduziu o benefício de 20% para 4%.  

Segundo o senador, a alíquota deve ser fixada, de forma permanente em 10% que, de acordo com Braga, resultaria em respostas positivas do setor geração de empregos.

“A minha expectativa é que o governo (Bolsonaro), que já vai fazer dois anos, pare, acabe com essa insegurança jurídica”, disse Eduardo Braga.

Acordo descumprido

O deputado federal Silas Câmara (Republicanos) afirmou que a bancada está apreensiva com a possibilidade de uma nova redução dos incentivos. O parlamentar disse à reportagem que se posicionou contrário à primeira redução do percentual porque, segundo ele, não foi o acordo estabelecido entre o governo Bolsonaro e os deputados do Amazonas.

“Estou com a bancada, como estou com a minha consciência. Contra todo o tipo de redução. Vamos trabalhar para convencer o presidente da República e a equipe econômica para não permanecerem destruindo a Zona Franca de Manaus”, disse.

Alíquota em 4% é insustentável

Marcelo Ramos, deputado federal do Partido Liberal (PL) também disse que a instabilidade jurídica se agravou quando o presidente Bolsonaro alterou os percentuais sem a realização de debates. O parlamentar afirmou que alíquota fixada em 4% é insustentável pras empresas do setor de concentrados.

“Os efeitos podem ser muito danosos a ZFM pela saída de grandes multinacionais o que passaria uma mensagem de instabilidade do modelo para outros setores e para aqueles que pensam em aqui investir”, alertou o deputado.

Competitividade

O deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade) afirmou que desde 2019 ficou claro o posicionamento contrário do ministro da Economia, Paulo Guedes,  ao incentivo do polo de concentrados da Zona Franca de Manaus.

O deputado afirmou que a bancada do Amazonas tem lutado para manter a alíquota em níveis de competitividade com outros fabricantes brasileiros.

“O polo de concentrados é importante por seu simbolismo e pelos empregos que gera no Amazonas.  Seguiremos lutando pela manutenção do funcionamento dessas importantes empresas em nosso solo”, disse.

Sobre o decreto

O decreto nº10.254/20, que aumentou alíquota do IPI dos concentrados de 4% para 8%, foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e publicado no Diário Oficial no dia 21 de fevereiro.

A medida estabelece que o incentivo para empresas de concentrados é válido apenas entre o período de 1º de junho de 2020 até 30 de novembro de 2020. O incentivo fiscal beneficia as indústrias que estão instaladas no Polo Industrial de Manaus na isenção do IPI e na geração de créditos durante as transações com outros estados.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a manutenção da redução dos incentivos para o setor de refrigerantes para empresas instaladas em outros estados pode gerar o prejuízo de R$ 2 bilhões na economia do Amazonas. O vice-presidente da Fieam acrescentou que o setor é responsável por 1,6 milhão de empregos em todo o país.

Reportagem: Izaías Godinho

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