quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Ministro do STJ não considera a prisão do governador necessária

Solicitação foi feita pela subprocuradora da PGR, Lindora Araújo, vista pelos colegas como um nome associado ao "bolsonarismo" e que comanda, além da Lava Jato, as investigações.
COMPARTILHE
Subprocuradora da República Lindora Araújo. (Foto: Divulgação).

O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não considerou necessária a prisão do governador Wilson Lima durante a Operação Sangria. A operação foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (30/6), em Manaus.

O pedido de prisão foi solicitado pela subprocuradora da Procuradoria Geral da República (PGR), Lindôra Araújo. Ela coordena as investigações sobre supostas irregularidades na compra de respiradores e outros itens para combate à covid-19 nos estados e municípios. Mas foi negado.

Segundo o ministro Falcão “não se justifica a imprescindibilidade da decretação da extraordinária medida cautelar de privação de liberdade do chefe do Executivo estadual ao menos neste momento”.

Segundo o portal de notícias UOL, a investigação da compra de respiradores é considerada “controversa”, pois mirou até agora adversários políticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Cita, por exemplo, os governadores do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), e do Pará, Helder Barbalho (MDB-PA).

O portal lembrou ainda que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada do presidente, chegou a adiantar a uma rádio que operações da PF sobre o tema iriam acontecer em breve.

“Na Lava Jato, Lindora é vista com suspeição pelos colegas de força-tarefa e coleciona polêmicas com eles. Ela substituiu na coordenação o procurador José Adonis Callou de Araújo Sá, que pediu demissão”.

Subprocuradora estaria ligada ao “Bolsonarismo”

Nesta terça-feira, assim como o UOL, a versão on-line de O Estado de S. Paulo publicou matéria com o título similar: “Quem é Lindôra Araújo, aliada de Aras, pivô de crise com a força-tarefa da Lava-jato”.

Segundo a publicação de O Estadão, “Lindôra é vista pelos colegas como um nome associado ao bolsonarismo e comanda, além da Lava Jato, investigações sobre a compra fraudulenta de respiradores durante a crise do coronavírus”.

O nome dela teria vindo à tona após, na semana passada, ela ter ido à capital do Paraná para consultar arquivos da equipe do Ministério Público Federal que originou a Lava Jato, em 2014.

O alvo estava nos processos de corrupção do escândalo Petrobrás – da 13.ª Vara Federal, do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro.

Casos envolvendo a subprocuradora

A publicação segue citando casos em que a subprocuradora se envolveu:

No passado, Lindôra já defendeu, por exemplo, a federalização das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e  do motorista Anderson Gomes.

Em documento enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a subprocuradora afirmou que os órgãos estaduais são “incapazes de cuidar do crime”.

Em 2012, ela saiu em defesa da não anulação das provas da Operação Satiagraha, uma das mais polêmicas ações comandadas pela Polícia Federal no governo Lula.

A Satiagraha investigou suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo políticos e empresários.

Lindôra afirmou na época que declarar ilícita todas as provas seria violar “fortemente” a ordem jurídica, social e econômica do País. O caso, no entanto, foi anulado pelo STF.

Outra atuação da subprocuradora é na Operação Faroeste, inicialmente desencadeada no dia 19 de novembro para investigar um esquema de venda de decisões judiciais que tinha o propósito legitimar a venda de terras na região oeste da Bahia.

Leia mais:

COMPARTILHE