Estudo realizado no Amazonas sobre o uso da cloroquina contra a Covid-19, interrompido precocemente, chegou ao Ministério Público do Estado.
Através de Procedimento Investigatório Criminal, comandado pelo promotor de justiça Edinaldo Aquino Medeiros, o MP quer saber do médico Marcus Vinícius Guimarães Lacerda, que comandou o estudo, quais as consequências nos 81 pacientes nos quais o medicamento foi testado.
Cerca de 26 cientistas participaram da pesquisa, mas o infectologista Marcus Lacerda admitiu para publicações internacionais, que a alta dosagem do medicamento é “muito tóxica e mata mais pacientes”.
Foi esse o motivo, segundo ele, da interrupção do estudo amazonense, que vinha sendo financiado pelo Governo do Amazonas, Fiocruz, Suframa, Capes, Fapeam e alguns fundos federais concedidos por senadores brasileiros.
Agora, o Ministério Público quer saber qual o relacionamento entre o estudo e a morte de pacientes submetidos às suas testagens com o uso do medicamento Cloroquina.
O procedimento foi instaurado com base notícias de fato n.º 01.2020.00001081-7 e 01.2020.00001082-8.
O MP-AM quer que o médico responsável apresente cópia integral da pesquisa e documentos referentes a todos os pacientes experimentados, tais como: termo de anuência; anamnese médica, especialmente quanto a cardiopatia, diabetes, epilepsia ou miastenia graves.
Além de exames realizados antes da experimentação, como eletrocardiograma, hemograma completo, Glicemia, nível de saturação de oxigênio, teste de Hipersensibilidade (alergia) a cloroquina ou a qualquer outro componente da fórmula do Farmanguinhos cloroquina Difosfato de cloroquina e outros realizados.
E ainda informar se algum dos participantes da pesquisa fazia uso de outros remédios associados, em especial: antiácidos, aurotioglicose, cepridil, cisaprida, gemifloxacino, amiodarona, alofantrina, isoflurano, mesoridazina, pimozida, terfenadina, tioridazina, ziprasidona, digoxina, ciclosporina, cimetidina, proguanil, fenilbutazona, mefloquina, penicilina, heparina, clorpromazina, metotrexato, praziquantel e também com medicamentos utilizados para o tratamento de convulsões e ou epilepsia.
Além do médico responsável pela pesquisa, o Ministério Público está pedindo informações da Fundação de Medicina Tropical e o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz.